Meus ontens abraçam teus brasis.
É preciso deixar para trás meus eus,
levar comigo tuas vidas futuras.
Somos todos sobreviventes
dos ciclones, pandemias
e enchentes interiores;
carregamos as dores e andores;
viajamos de canoa e caminhão;
rasgamos os dias nos calendários;
guardamos deuses em armários
Somos ateus cultuando toténs;
quebramos vidros, colamos espelhos;
resgatamos a criança que nunca nos deixou;
deixamos as ilusões pra trás;
sepultamos desejos com cal e pás;
vivemos em paz ao abrir um livro
com asas de papel visando o céu.
Depois de ti nunca mais fui eu.
Você Prometeu não me esquecer...
Viver é lutar dia e noite
contra o meu e o teu esquecimento.
Quero morar em casa de bambu,
plantar flor, colher versos.
Catacumba, moribundo, casamata.
Caçamba, miçanga, polímata.
Palavras de sorte pra quem
ainda não viveu a morte.
Que a paixão nos ensine a sonhar
e que depois o amor nos conforte.
José Antônio Klaes Roig
Observação 1: Poema acima de minha autoria, escrito em 24/11/2024 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fotografia de minha autoria da lateral da Igreja do Salvador, em Rio Grande, RS, Brasil.

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