26/11/2009

Desiderata



Aquilo que se deseja: Desiderata.
As coisas que se deseja: Desideratum.
Quero uma casa, onde eu more dentro dela
e ela coincidentemente dentro de mim;
quero um amor, onde eu viva dentro dele
e ele consequentemente dentro de mim;
quero a felicidade, onde eu caiba dentro dela
e ela cumplicemente dentro de mim...

Aquilo que eu desejo
tem nome e sobrenome,
tem endereço e telefone,
tem corpo e alma,
é brisa e calma...

Das coisas que desejo,
todas são acessórias e dizem respeito a ela;
que me fazem sentir a presença dela
aonde quer que eu esteja:
a voz, o sorriso, suas palavras,
a doce beleza, seus passos e suspiros,
seu perfume e sua fortaleza...

Toda riqueza do meu mundo
existe por conta de sua presença.
Minha vida seria qualquer coisa,
uma coisa qualquer, sem a sua existência...

De todas as coisas que desejo, desideratum,
entre todas, somente uma me preenche a vida:
minha doce e querida Desiderada,
a princesa Brisa, herdeira do País dos Sonhos,
por quem o Vento vive a suspirar...

De todas as coisas do mundo,
você é a única coisa que eu ouso desejar,
todos os dias de sol e de chuva.
A única coisa que vale a pena
por toda a vida esperar (vinho que vem da uva)
muito além do desejo do amor e do amar...

Ser feliz é tão simples,
apenas um exercício de saber a-guardar...
É somente o amor divino e real
que, na alquimia das noites claras como os dias,
separa o momento mágico do vulgar...
Quem ama, identifica a moeda de ouro do simples metal...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 26/11/2009 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado pro computador.

25/11/2009

Do amor, eu nada sei


Do amor, eu nada sei,
o pouco que sei é do amar...
Amoras silvestres no bosque da paixão,
amores impossíveis entre ciprestes.
Amor, um conceito; amar, uma constatação...
O amor é bipolar,
ora nos faz imensamente felizes,
ora extremamente tristes.
Quem mandou ter um coração!

Pode-se viver sem amor, jamais sem amar...
Eu nada sei do amor, o que aprendi foi com o amar...

Eu nada sei de muitas coisas,
mas descobri que o espelho d'água
é criação divina da natureza
e que o espelho de aço
é construção artificial da humanidade...
Os homens aprenderam a se dar espelhos
para nunca se aprofundarem
nas águas claras da realidade.
Ficam que nem moscas diante do vidro,
não mergulham no azul profundo
do mar de dentro de si mesmos...

Eu nada sei do amor,
tudo que aprendi foi por te amar demais.
Do amor, quero poder viver um completo,
com início, meio e eterno recomeçar...
Do amar, quero saber nadar
por águas claras como o teu sonhar...

Tudo que sei é que te amar
alimenta meus dias e noites,
teu amor me faz viver -
dia sim, outro também - a viajar...
Foi na enchente dos teus olhos
que eu vim sem querer me afogar...
Mas não foi sem querer que,
num dia com o outro qualquer,
passei todos os dias a te desejar...

Do amor, eu nada sei,
o que aprendi foi a nadar
nas águas plácidas do teu olhar...
Pode-se viver eternamente sem um grande amor,
jamais existir sem sentir o que é o verdadeiro amar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 25/11/2009 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

20/11/2009

Memória fotográfica


Recordação:
nossa pequena máquina do tempo
portátil...
Às vezes, expandida, outras retrátil,
alguns momentos lembrados,
outros, rapidamente esquecidos:
projétil...

O amor pra quem ama é sempre
um processo de luz, de chama,
algo muito foto revelador...
Quero sempre poder disparar
mil e um flashes ao teu redor,
capturar pela lente de meus olhos,
toda a beleza e essência
do teu, do meu, do nosso amor...

Dos meus mais belos poemas
e de teus mais ternos fotogramas,
minha fotográfica memória,
seja onde for que você esteja contida,
selecioná o teu melhor pelo meu obturador...

Lembrar é como rever um filme
da própria existência,
com a consciência de que,
ainda que não sejamos mais os mesmos,
continuamos em parte
dentro de nós voluntariamente presos...

Habitados por imagens em movimento,
somos tanto o positivo como o negativo
da imagem que expomos a esmo!
Somos de fato o mesmo que pensam de nós
e que de nós próprios pensamos?
Retrátil...

Nossa imagem é composta de fotografias
capturadas por algum Fotógrafo Maior.
Somos muito mais do que demonstramos,
somos mais que o perfil que nos retrata
de frente ou de costas,
de lado ou mais adiante...
Cada um que nos observar terá também
seu instante foto revelador...

Minha memória fotográfica diz que
de todas as imagens que carrego comigo
a tua talvez seja a mais bela;
fotografia que lembra uma aquarela,
pintura rara, delicadeza cara,
que eu quero sempre poder retratar,
lembrar e relembrar aonde quer que eu for...
És, de fato e de direito,
a revelação de um grande amor...

Fotografia em sépia, envelhecida e amarelada,
ora pela máquina, ora pelo tempo,
colorida pela memória fotográfica da recordação:
nossa pequena máquina do tempo portátil...

Tudo na vida perde o sentido,
de se viver e de se fotografar,
se não se tem, ainda que apenas em belas imagens,
tanto faz se coloridas ou em preto e branco,
um imenso e intenso amor...

Mas apesar de todo relembrar
ser um reviver o sonho vivido num sonho sonhado,
há que também dar-se conta de que
mais que recordar, o viver é sempre algo melhor...
Não há amor que viva apenas de lembranças,
se a criança que está morando em nós,
habituar-se com a solidão...

Não, não quero viver apenas de boas recordações,
quero viver todos os dias um grande amor,
e se for sempre com a mesma pessoa,
confesso: será muito mais do que
um mero processo foto revelador...

Eu te amo, por que meu amor por ti
mil imagens de mim mesmo me revelou...
Minha memória fotográfica
me mantém sempre perto de ti,
mesmo quando estou tão distante...
Se estou, ora perto, ora afastado,
isso pouco importa..
Basta regular da câmera interna o zoom...
Diante do verdadeiro amor em movimento,
tudo passa a ser fotograma estático, sem cor...
Num canto qualquer da memória,
entre a íris e a retina, o encanto nunca termina
quando se tem um grande amor foto revelador...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 20/11/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Colagem em forma de mosaico, bem antiga mesmo (mais de 15 anos), pois cada uma das imagens era uma capa pra uma fita de áudio, formato k-7, que hoje é coisa rara, peça de colecionador.

16/11/2009

Mormaço


Estou com fome de tudo,
de vento, de brisa, de mar...
Mas não de comida,
esta ainda pode esperar...

Tenho fome de amor e de felicidade,
de amar à vida contida em teu olhar...
Fome de minhas sombras e tuas luas,
de teus sóis e meus mormaços,
de teus lençóis e meus abraços...
Amordaço os teus caminhos aos meus,
como quem amarra dos sapatos os cadarços...
Vivo cada dia como uma pequena odisseia interior,
pelo teu caudaloso Mar dos Sargaços...

Amarras e amores,
Laços que ora prendem, ora unem
algo ou alguém... amar-ras...
Pessoas que se sentem presas umas às outras,
pessoas que desejam unir-se umas às outras...
Há amarras e amar-ras...

Todo amor é e-terno.
Se não é mais residente em nós,
ele resiste e-ternamente
nos versos e virtudes que nos legou!
Agridoce espólio da recordação...

Todo amor é passado, presente e futuro.
Todo amor que ficou no passado
é parte amargo, parte doce,
pois a memória é como papel almaço...
Um caldeirão de emoções borbulhantes,
feita de estranhos e longos mormaços...

De vez em quando é preciso exercitar essa magia
do olhar às coisas com certo encanto perdido,
encanto que ficou retido na retina infantil...;
como quem vive debaixo de uma árvore perdida,
esperando que o mormaço cesse, passe,
para, se sair do lado escondido da lua,
atravessar o outro lado da nossa rua interior
e poder, ao amor eterno, entre laços reencontrar...

O amor é como o mormaço:
a gente sente e não vê; no início percebe, mas não crê.
Apenas com o passar do tempo é que
aprende a transformar o ferro em aço!

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima de minha autoria, feito em 14/11/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima de minha autoria, fragmento de colagem feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

14/11/2009

Amor'a



O amor quando chega é como a chuva fina,
metáfora viva em que os pingos nos is
caem inesperadamente, um atrás do outro,
em locais mágicos e ímpares,
onde os círculos concêntricos nas poças d'água
logo passam a se entreabrir e se entrecruzar...
assim como fazem na rua as pessoas e seus olhares...

A paixão é como a melhor uva, safra única,
da qual se extrai o sumo que vira o vinho tinto,
para que as cascas jogadas ao chão
possam ser as marcas de um terno pisar...

A Morte, uma senhora rabujenta,
não me amedronta mais que a Vida,
uma bela moça por quem vivo a suspirar...
Mais medo teria meu eu lírico
da existência a ser vivida pra sempre
sem a consciência do amor nem do amar...

Amor agora, fruto que torna-se suco
se aglutinando na palavra amor'a...
Amora, fruta colhida no pé
da árvore dos dias que passam por nós...
Aglutinação de outros minúsculos frutos,
de emoções acumuladas pelo viver...
A vida, o tempo e o sonho...
Em outras palavras pode-se dizer tudo,
mas nem tudo pode ser dito com todas as palavras...

Vive o poeta morando dentro de um sonho acordado,
vivendo algo que todas as palavras não conseguem contar;
quer vestir a musa com a sua exagerada alegria,
enfeitá-la com seus cantos e encantos,
presentá-la com brincos e colares da própria emoção...

Será que vida é o doce sonho possível
E a realidade é que não passa de amarga ilusão?
Uva-passa, passatempo... passa, passa, passará?
Vive o poeta morando dentro de um sonho acordado,
prisioneiro feliz de um conto de fadas sem fim...
Vã filosofia é querer compreender por que nesta vida -
exceção feita ao amor agora, igual: amor'a -,
tudo que é perfeito demais não passa de pura ilusão...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 13/11/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

12/11/2009

Antes de abrir meus olhos



Há um local misterioso
entre o sonhar e o viver,
um país límbico
entre o que é pensado
mas nunca é dito!
Algo difuso, inaudito e inconcluso...
Entre o ser e o parecer...

Minha palavra é sempre bem vestida
por tua mais linda saudade;
minha idade é sempre despida
por tua mais bela mocidade...

A trama, o drama,
o viver e o sonhar...
a trama da vida e do sonho,
o drama de se viver sem sonhar...

O drama de sonhar e nunca acordar,
a trama do sonhar para se realizar,
o drama do viver sem amar,
a trama do viver e somente esperar...

Meu sonho possui asas,
sobrevoa à noite lá fora,
de mais de mil casas após a vírgula,
antes de abrir meus olhos,
antes de comigo mesmo sonhar...

Minha casa possui tua visão,
meu coração possui teu compasso,
meu passo possui tua sensação,
antes de abrir meus olhos,
consigo ouvir bem próximo,
não o meu, mas sim o teu coração...

Antes de abrir meus olhos,
antes de te reconhecer em mim,
além dos sonhos e das saudades,
eu não sabia bem o que era o viver,
acreditava que a vida era
tão-somente um sonho bom pra se sonhar...

Foi por acreditar no meu sonhar,
que enfim abri meus olhos,
e pude do outro lado do meu mundo,
bem ali, num segundo,
dentro de mim te encontrar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, feito em 11/11/2009. protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.

06/11/2009

A noiva do Vento


A noiva do Vento, a Brisa,
sempre avisa, quando seu amado
está para chegar...

Brisa que ao Vento
sempre avisa
sobre a beleza do viver...

Brisa que ensina
ao ansioso Vento
sobre a delicadeza do amanhecer...

Brisa que divisa
a fronteira imprevisível
entre o ter e o querer...

A noiva do Vento, a Brisa,
mantém sempre viva
a brasa, a chama, o fogo,
toda vez que abraça o corpo, a mão,
a lenha, a alma, o carvão...

A brisa abraça a brasa
do fogo tênue e intenso do Amor,
antes mesmo do Vento chegar,
levantando tudo à sua volta,
consumindo às vezes sem querer
o fogo-fátuo da Paixão...

A noiva do Vento, a Brisa,
não precisa ser nada
além dela mesma,
uma linda e bela princesa,
por quem o Vento vive a vagar...

Se a Paixão é como o Vento,
o Amor é mais parecido com a Brisa,
juntos, os dois, fazem o casamento ideal,
entre o tempo e o espaço,
entre o mágico e o real...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, feito em 06/11/2009, e protegido pela lei de direito autoral.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria (feita uns anos atrás), a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Alguns versos desse poema foram criados, durante uma caminhada matutina, sob forte cerração, ouvindo a canção Andvari, da banda Sigur Rós, link abaixo (principalmente a partir de seus 3 min, quando torna-se apenas instrumental, e dá pra se ouvir a brisa e o vento de seus acordes e despertares.

Andvari, da Sigur Rós

02/11/2009

O Filtro dos Sonhos



O que é o dormir? O que é o sonhar?
O que é o acordar e o despertar?
Para muitos uns são sinônimos dos outros...
Não estamos sós neste mundo,
nem na vida nem nos sonhos,
quando sonhamos o sonho de alguém...

Existem teias de filtrar maus espíritos,
enfeitadas com penas e contas,
amuletos indígenas que protegem
o nosso sono e o nosso sonhar.
Você dá asas a minha imaginação
e eu te conto um conto de ninar...
Eu te conto meus sonhos mais profundos,
meus desejos de te acompanhar...
Quero te infiltrar em meus sonhos,
filtrando apenas aquilo que me leva ao teu sonhar...

Existem noites infinitas na Terra,
para aqueles que dormem sem sonhar.
Perco sono de pensar nos que dormiram felizes
com suas vidinhas pacatas e sem sal
e não despertaram mais ao nascer do sol;
tristes dias para os que sonham e sondam
sempre as mesmas coisas e acordam todos os dias
sem jamais despertar para a vida e para o amor!

Têm aqueles que um dia dormiram
para não acordar mais;
existem os que dormem sono profundo
e acordam todos os dias, sem amor nem amar...
É somente o amor capaz de despertar
corações e mentes dormentes
daqueles que vivos não vivem!
Preferem filtrar dos sonhos e da vida
toda a delicadeza e a emoção...

Criar o seu próprio filtro dos sonhos
e saber distinguir das paixões de ocasião
o verdadeiro e inevitável amor,
e este, dos demais, poder filtrar...
Dormir sem sonhar é como viver sem amar!

Água filtrada, tratada, abençoada...
Amor purificado, pelo vento e pela brisa...
Ninar à vida, embalar os sonhos.
Saber en-cantar os dias e o amor,
filtrar das memórias do futuro,
da água parada do lago escuro e fundo
da memória: um sonho a se realizar...

Existem os que dormem e acordam
todos os dias da mesma forma
e jamais despertam para a vida e o amor.
Eu prefiro ser um sonâmbulo do tempo,
com medo de que ao abrir os olhos
meu mundo de sonho não exista mais...

Não preciso meus sonhos decifrar.
Quero sim é aprender a tecer o fio da teia da vida
do meu próprio filtro dos sonhos.
Impossível viver sem sonhar?
Impossível viver sem querer dar vida aos sonhos!
O sonho liberta a alma, aprisionada pelo corpo...
A vida vivida, liberta o sonho
de seu casulo mágico e encantado,
faz no próprio amor poder se acreditar...
Quero sempre poder levar flores
àqueles que dormindo à noite,
de dia poderão de seu transe despertar...
Quero sempre poder dizer “Te amo!”
a quem, antes vivia apenas nos meus sonhos,
mas que de lá eu soube filtrar, para o meu mundo encantar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poesia de minha autoria, feita em 02/11/2009. Protegida pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poema feito sob inspiração da canção Gódan Daginn, da banda islandesa Sigur Rós. Veja link abaixo para a referida canção>

Gódan Daginn - Sigur Rós

31/10/2009

Tchê Amo


Tchê amo, por que te amo
e nada mais precisa ser dito, além disso...
Para se amar algo ou alguém
há que se querer viver primeiro o amor,
ainda que incompleto, inconcluso, imprevisível,
pois nada é de todo pleno e concreto,
por isso nunca se consegue explicar
o que nos é tão contradito...

Tchê amo, por que te amo,
por que para amar basta o amor em si.
Eu te esperei toda vida
sem nada esperar,
nem saber se você de fato existia
ou se era apenas uma idealização;
coisa de poeta,
que vê em tudo matéria-prima
para sua criação...
Tudo o que fiz assim o fiz
somente para ter da musa a atenção.

Tchê amo, por que te amo,
por que espero muito de ti,
por que eu te esperei muito em mim,
até o dia que, enfim,
nossos caminhos se entrecruzaram
sem nenhuma explicação.

E assim, como a boleadeira
que é lançada ao ar com toda a força,
buscando trançar algo rente ao chão,
meu amor fez voo longo e cego
até cruzar com a tua visão...

Dizem que a noiva do vento é a brisa.
E é essa delicadeza que às vezes se precisa.
Se o vento é o ar em movimento,
lamento dizer aos céticos e pessimistas
que o amor é o amar em circulação.
Quando não se tem amor-próprio
somos incapazes de amar alguém...
O amor não é uma entidade física,
não vemos seus sinais, senão interiores,
e quando esse vento, que iniciou brisa
toma conta de nós, e movimenta tudo ao redor,
ainda que não o vejamos, sabemos de sua existência,
pois ele está presente em cada ação...

Nunca devemos julgar as coisas
por conta do que apenas vemos ao redor...
O que eu de fato sou é o que ninguém enxerga.
Eu sou vento e você brisa,
e ninguém mais precisa saber
de que é feito nosso amor...

Tchê amo por que te amo.
Por que aprendi a fazer com que a tua brisa
acendesse de vez a minha brasa,
mantendo sempre firme e forte
o fogo de chão desse nosso amor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, feito em 31/10/2009. E protegido pela lei de direitos autorais, podendo ser reproduzido, desde que cite a sua autoris.
Observação 2: Image acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, digitalizando o resultado para o computador.

20/10/2009

Imenso Amor



Teu amor me faz imenso,
teu carinho torna-me intenso,
teu perfume, meu incenso;
toda vez que te vejo
estou sempre em mim propenso
a ser muito mais do que eu mesmo!

Os dias e os momentos longe de ti
são dias e momentos banais,
despovoados de alegria e beleza,
desabrigados de fantasia e felicidade
desapropriados de magia e emoção...
Meu desejo sem o teu amor,
é corpo sem coração...

Todos os meus caminhos são teus, sim;
pois eles só existem e insistem em me seguir
por que você existe antes deles e de mim...
Meu coração sem o teu desejo
é vida sem razão...

Teu amor me faz forte,
teu carinho é meu norte,
teu perfume minha sorte,
eu não caibo mais em mim
desde o dia que te descobri
e mesmo assim, sou tão pequeno
quando estás, de meu continente, tão distante...
Diante dessa imensidão do teu amor,
sou capaz, como todo bom rapaz, de supor
que o universo é bem menor
que o calor que irradias ao meu redor...

Perto de ti sou imenso, sou um gigante,
e você, ora uma pérola, ora um valioso diamante.
Diante dessa imensidão que é o meu amor,
sou capaz de te propor o suavium:
o beijo pleno e vivo dos amantes...
Errantes apaixonados à procura da imensidão do amor...

Antes tarde do que nunca, disse um dia
o gigante à pequena aldeã,
e daquele dia em diante, um milagre sucedeu:
ele tornou-se Pólux e ela a estrela Aldebarã.
E os dois amantes foram morar juntos no céu,
pois naquela terra de gigantes
tudo ficara diminuto demais,
um porto sem cais,
para abrigar aquele imenso amor...

Poesia é a música do poeta,
música é a poesia do compositor;
alguém disse isso de um outro jeito
e eu fico aqui meio que sem jeito
a replicar sem saber o nome verdadeiro do autor...
Quem será de fato o autor desconhecido
do nosso amor imenso e de nosso imenso amor?

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 20/10/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poema inspirado nos acordes da belíssima canção Samskeyti, da banda islandesa Sigur Rós (Rosa da Vitória), link abaixo:

Samskeyti, de Sigur Rós

18/10/2009

De-Coração



Tudo na vida é questão de Tempo,
muito mais do que de Espaço.
Fiz há muito tempo um pacto
com o próprio mágico Tempo
e o renovei há pouco tempo atrás esses votos:
Viver um dia de cada vez e sempre!
Viver um século em apenas um mês...
Viver a vida que o destino me reservar...

Nada se acaba, mesmo quando termina...
Nada se conclui quando algo se finda...
Sempre continuamos de uma forma ou de outra,
um na vida do outro, ao seu modo e sobremaneira...
Pretérito mesmo só para os que foram preteridos...
Futuro apenas para os que nos são muito queridos...

Vozes, sons e sonhos en-cantam meus dias;
palavras vagam pelas ruas, abrem em mim avenidas.
A vida é muito, muito mais do que
a decoração de ambientes virtuais...
A vida é a de-Coração de um mundo real,
com sua paisagem multicolor, multifocal.

Tempo anti-horário, tempo perdulário
que se dependura no pêndulo a balançar.
O coração faz algo muito similar,
mas em sentido oposto, contrário.
Mas o que dá corda ao coração
é a vida, não o tempo, tampouco o espaço...
Não é o relógio que calcula
a importância dos instantes
e sim o sentimento que dele decorre...
e por nós escorre sempre adiante,
cada dia mais um pouco...
Diante de ti sou sempre o meu melhor,
sou um pouco de meu Outro...
O tempo só é mesmo fecundo quando
podemos nalguém fecundar nossos sonhos,
sejam eles próximos ou distantes...

Decoração é uma palavra misteriosa,
pressupõe mudança das coisas,
transformações espaciais.
De-Coração é uma palavra mágica,
indica a fixação de alguém nalgum lugar,
por vontade própria, tornando uno os desiguais...

Jose Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, feito em 18/10/2009. protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

11/10/2009

Poema deserto



Poema deserto de você, decerto,
é um mundo deserto de meu amor...
Poema deserto é aquele que
não traz nas próprias entrelinhas
algo que fale do teu amor...

Um deserto, decerto,
é um poema preenchido somente
com palavras e versos milimétricos
e não com vida e emoção,
que tornam-se sementes doutra métrica
nalgum outro rincão...

Diante dos problemas mundanos,
que nos deixam por vezes perplexos e ilhados,
de nada adianta fugir para Fernando de Noronha,
morar na Vila dos Remédios para à vida remediar...

O trem é a melhor metáfora pro amor,
pois exige constantes paradas em estações.
A vida tem suas estações, nós também,
pois sem isso é caminho por demais perverso.
Mais perdas menos versos, decerto,
trens sem dormentes vagando pelo deserto,
de um quebra-cabeças maior
sem peças para se encaixar nas contradições...

Muitas vezes nosso quebra-cabeças interior
não se encaixa com o exterior, pois de repente
podemos não ser a "peça" certa, decerto,
daquele deserto quebra-cabeças de outrem...

E por ai vai, a vida entre trilhos e dormentes,
vagando entre o estético, o poético e o filosófico...
Idealizamos para nós um mundo completo,
que apesar de o vermos como uma imagem única,
é na verdade um imenso quebra-cabeças fragmentado...

E nesse imenso Quebra-Cabeças,
apesar da prepotência de alguns,
não passamos de uma diminuta peça
à espera da mão divina do encaixe...
O que os céticos dizem ser o destino;
os otimistas juram convictos que é amor...

E os dias passam por nós,
como irmãos gêmeos, quase siameses,
por meses e anos que se repetem...
Como as areias do deserto, decerto,
formam as mesmas dunas em locais diferentes...
Até que um dia a peça que faltava
naquele deserto de emoções
se debruça detidamente sobre nós...

Não consigo nem pensar em viver
cada dia como se fosse um gêmeo do outro;
muito menos como se fossem siameses...
Cada dia é um novo dia, um novo viver!
Cada dia é um novo caminho, um novo nascer...

Amor que não doi
é qualquer coisa de qualquer coisa, menos amor...
Assim eu penso, logo existo,
por que o teu amor resiste/reside em mim,
assim como eu resido/resisto em ti...
Poema deserto, decerto, é toda paixão
que jamais se transformará em amor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 11/10/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

06/10/2009

Desejo



Desejos
entrecortados pelo tempo são os sonhos,
assim como o alfaiate que ao recortar um terno,
molda a morta roupa a um vivo corpo.
Desejos
entrecruzados pela vida são os caminhos,
assim como o guia que descobre atalhos,
entre a palma da mão e o coração...

A vida é uma e-terna contradança
de emoções, entrelinhas e contradições.
Penso todos os dias somente no hoje,
nunca, jamais no que se tornará o Amanhã.

Nem sempre sei explicar por palavras o que sinto,
apenas sinto a vida fluir em mim,
como o rio que desce de encontro ao teu mar.
Amar: certeza ao sair, dúvida d'aonde se vai chegar...

Às vezes, tenho frio, fome e medo,
mas tenho em ti depositado
todos os meus sonhos, amores e segredos...

Muitas vezes viajamos no mesmo trem do tempo,
outras vezes, quiçá, noutras vidas, corpos e momentos...
Vagamos por estações, descendo antes da hora,
até o dia que enfim nossos olhares se entrecruzem,
e uma janela abra-se por completo para o amor...

Somos todos sobreviventes,
sobrevivemos ao próprio tempo.
Desejo-te em mim, dia sim, dia também.
Desejo-me em ti, toda hora, todo instante.
Sem palpitação (de paixão/amor)
o coração torna-se burocrata do viver...
Tique-taque de relógio;
finge vida, mas não sabe o que é
de fato o viver...

Se os amigos verdadeiros são
nosso pequeno mapa do tesouro
nessa ilha flutuante no meio do universo,
que chamam de Terra;
O amor verdadeiro é passagem sem volta
para o pequeno paraíso terreno
que existe nalgum recanto da existência...

Desejo-te em mim, desejo-me em ti...
O que é afinal o desejo
além do abraço e do beijo?
O que é o desejo além do próprio desejar?
Talvez seja algo como o amor, além do amar...
Desejo-te mais quando menos te vejo,
quando o amor crava mais fundo em mim
o teu pequeno e afiado percevejo...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 06/10/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado pro computador.

01/10/2009

Acordes e Despertares


Todo dia ele acordava,
mas o seu despertar carecia
de algo que o fizesse ao ver, enxergar...
O corpo seguia à vida que seguia à vida que seguia...
Mas a alma sempre ficava prostrada,
dia e noite, noite e dia, no mesmo lugar...

Então, o tempo, um senhor velhaco,
em sua eterna prestidigitação,
fez uma pequena magia,
misturando sonho e realidade... Que confusão!
E a felicidade do jovem que sonhava feliz,
passou a ter acordes de sinfonia das quatro estações...

O mundo se transmutou da água pro vinho,
a ave voou além do ninho,
tudo passou a despertar acordes,
tudo passou a acordar o seu despertar...

E o jovem que não tinha nome,
sonhando com a menina dos seus olhos,
passou a acreditar que se ela existia,
ele também deveria existir nalgum lugar,
além de seus sonhos e de sua mocidade...

Tudo parecia perfeito demais,
até que um dia, a menina de seus sonhos,
que também acordada estava, enfim,
um dia, como outro qualquer, despertou...
Na verdade, tudo indicava que
era a menina que sonhava
com um casal que só existia de fato
quando ela estava de olhos bem fechados...
Num céu azul profundo, cor do amor sem fim...

E tudo parecia ser fadado a um sonho sem final,
quando um dia a menina ouviu os acordes
de uma bela canção de amor...
Parece que ela também fazia parte do sonho de alguém,
muito além daquele lugar, nalgum outro local...

Se nem todo acordar é de fato um despertar,
nem todo despertar é de fato uma casualidade,
tudo tem seu tempo, sua idade...
O que é hoje mero sonho, quiçá num futuro distante
possa tornar-se uma doce realidade...
Todo acorde que invade,
provoca, sem alarde, nalgum canto, algum despertar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, feito em 01/10/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastao e digitalizando o resultado pro computador.
Observação 3: Poema inspirado no videoclipe da canção de Moby, Dream About Me, com cenas do filme Efeito Borboleta 2, conforme link abaixo:

Moby - Dream About Me (Butterflyeffect)

29/09/2009

Penélope Sou Eu


Textum, tecido, texto, tecer...
O amor tecido em um tapete infinito,
Com Penélope ao tempo fiar
E a confiar no poder do Amor...
A verdadeira forma de amar
Pode estar amortecida pelo tempo,
Mas um dia, um momento,
Ao Ulisses navegante concederá o despertar...
Tricotar o sonho de dia,
E à noite, a realidade vir desmanchar...
Somente quem ama de fato
Sabe pelo amor verdadeiro esperar...

O Amor tece o verso,
O Tempo amortece o peito;
O Destino tece o vento,
A Vida amortece o leito...
Por isso vivo sonhando acordado,
Fiando meus dias e desfiando minhas noites,
Confiando em meu destino,
Desconfiando que sem o seu Amor
Nada sei sobre o que é o Amar...

O fio da vida, da meada,
Da sorte, da calçada...
O fio da morte, da estrada,
Da esperança, da jornada...
A teia de aranha, ao tempo querendo aprisionar...
O fio da navalha, ao sonho desejando libertar...

Se pra alguém ser feliz é preciso de sufrágio,
Confesso: sou frágil com qualquer tipo de apuração...
Minha nau é também frágil,
mas sobrevive a todos os meus naufrágios,
Quando vem dar à praia, junto ao Farol da Solidão...
Penélope sou eu, às vezes,
À espera do seu mítico Ulisses;
Do grande Amor que nada é sem o imenso aMAR...
Algo que me invade, mas não arrasa;
Que desacomoda, mas não me despeja;
Que me deseja, mas não me devora;
Que arrasa, mas nada destrói;
Algo que arde, mas nunca corrói...
Sou um poeta que (re)vive, igual à Penélope de Ulisses,
Fiando os dias e desfiando as noites,
À espera do entretecer dos sonhos
entre o intenso e terno amor da Amada
e o meu imenso e eterno aMAR...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 29/09/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a ártir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

27/09/2009

Com um cravo na lapela


Essa vida morna, pão com manteiga,
Do amolador de facas, do aparador de grama,
Do jogador de paciência,
Pensando e jogando pedrinhas na água do rio
À espera de - sabe-se lá - um deus-nos-acuda qualquer
Que as boas coisas da vida venham um dia nos mostrar.

Ultraleve é a vida e eu ando meio “down”,
Pois o binômio de Newton nem a guerra-fria dos teus olhos
Sei matematicamente calcular

Batman e Mulher Maravilha vivem numa eterna cama-de-gato
Sem querer um ao outro se entregar.
E, afinal, quem pagará o pato,
quando não mais se souber de que lado
Bate à noite nosso solitário coração?

Toda sexta-feira treze (ou não) era a mesma via crucis.
La Dolce Vita de Fellini não passava de um belo filme.
Toda sexta-feira (Santa?) de agora em diante nem sempre será da paixão...

E o vinho virou água e a água virou sangue,
A enchente dos teus olhos alagou sem querer meu mangue,
O milagre do amor — do trigo fez-se o pão.

Um anjo Gabriel... García... ou Márquez, talvez,
Com um cravo na lapela e seu melhor sorriso de domingo
Espera seu amor aparecer na janela,
Mal sabendo que já começaram os Cem Anos de Solidão.

O pecado mora ao lado, Bela adormecida é a paixão.
Enquanto ela dorme há paz na Terra.
Quando acordar todo anjo perderá por ela a razão...

O soldado e a bailarina, o esgrimista e a contorcionista,
a ascensorista e o pára-quedista...
Bailam perdidos pelo salão sem se olhar.
Uma tempestade num copo d’água
Aproxima-se de nós e estamos tão sós.
Se ela dança na ponta dos pés, sem o chão sequer tocar,
Talvez seja porque sofre de insônia e não quer nos acordar.
Eu sou gato escaldado da noite e pulo de galho em galho
À procura de um atalho, só pra te namorar.

Quem quiser ser feliz que prove o gosto da romã,
Pois, sem lenço e sem documento,
infelizmente já não se conquista mais:
Um reino, um sonho, uma paixão.

Atire a segunda pedra
Antes que o cinema feche, que o sinal de trânsito mude,
que o guarda apite, que a atriz se desnude;
Pois o bandido raptou a mocinha
Quando o herói do filme esqueceu o texto
Com o pretexto de recarregar sua arma (com munição?)
Pena que o admirável mundo novo
Não passe de um “hollywoodiana” ilusão.

Amar, às vezes, é estar sozinho na cova dos leões,
E eu que nem me chamo Daniel,
Sou um entre tantos peões
Neste jogo de xadrez que é a Vida e Morte Severina,
Sentindo uma ponta de lança atravessar inúmeras vezes o coração.

Então, se pra ser feliz, terei que estar pra sempre
Em constante xeque-mate,
Prefiro, quem sabe, brincar de cinema,
Pois, lá tudo é sempre um “faz-de-conta”,
E quem conta um conto, aumenta um ponto, dizem...
Eu já nem sei mais como concluo esta interminável poesia sincera
Se com reticências, ponto final ou de exclamação...
Queria poder dizer que tudo na vida
Tem a exata medida de um sim ou um não!

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 08/07/1990. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minh autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poesia originalmente com o título de "Cem Anos de Solidão", alterado em 26/01/2003, por sugestão do poeta, crítico literário e ativista cultural Joaquim Moncks, durante a 30ª. Feira do Livro no Cassino, Rio Grande – RS; e, posteriormente, readaptada para um concurso literário.

26/09/2009

Labirinto interior


Ah, o tempo,
esse sujeito de mil faces
que parece um velho mágico,
brincando num misterioso labirinto
por ele próprio construído.
Ah, esse tempo,
que parece um mágico aprendiz,
preso em sua própria cartola!

Tempo que une e divide;
que tudo separa e depois tudo (re)junta...
Tempo que tudo cura, sutura, renova;
tempo que tudo agrava, na pele grava, tatua;
tempo que nunca esquece do próprio tempo
e que nele tudo fica contido, retido...
Na pedra dos dias que passam,
escritos de amor registrados no momento,
vida após a vida, ficam ali capturados
pela metáfora viva dos versos doutro poeta.

O amor verdadeiro nunca morre,
pela terra escorre, invade,
tudo consigo leva e eleva...
O verdadeiro amor resiste ao tempo,
todavia, paradoxalmente,
até mesmo o Tempo não resiste
ao amor verdadeiro cultivado em seu interior!
Tudo é questão de tempo,
e é ele, o Tempo, sempre que conduz a ele, o Amor.
Tudo no seu devido tempo, razão e emoção...

Foi na fenda do tempo fecundo
que eu te achei por um segundo,
quando de minha vida me perdi,
e me perdendo, enfim,
te encontrei bem no fundo de mim...
Desde então, noutro labirinto infindo,
eu te enfeito com meus sonhos
e você me enfeita os dias com teu amor.

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poesia acima, de minha autoria, escrita em 26/09/09. Protegida pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minha autoria, a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poema inspirado no belíssimo videoclipe "Il tempo tra di noi" (O tempo entre os dois) de Eros Ramazzotti (2007). veja abaixo link para as versões em italiano e espanhol.

EROS RAMAZZOTTI - 2007 - IL TEMPO TRA DI NOI

EROS RAMAZZOTTI - 2007 - EL TIEMPO ENTRE LOS DOS

25/09/2009

Sertões, Borboletas, Guimarães e Rosas


Amar é muito mais que
Sair do casulo dos dias,
Voar além das distâncias e das fronteiras,
Além do tempo e da imaginação...
Se a Paixão é como a borboleta,
Linda, colorida e efêmera;
O Amor, por sua vez,
Sabe dosar leveza com paciência,
Certeza com segurança...
Criar trilhas na vastidão...
Faz do homem de novo criança,
Faz da mulher, cidadela, fortaleza...

Sou um gigante por fora, às vezes,
Mas por dentro não passo de um menino,
Quando te vejo e te sinto,
Voando por meus segredos e caminhos,
Seja na primavera ou no outono,
No inverno ou no verão...

Vocês Verão, diz o Inverno!,
Àqueles que sobreviverem aos seus rigores...
Você se diz pequenina perto de mim,
Mas na verdade é imensa em meu interior,
Preenchendo todos os cômodos e o jardim
De minha pequena e terna habitação...

Se a Paixão é um turbilhão,
O Amor é como o despertar de um casulo,
Com a esperança de que os dias se vão,
Mas o sentimento sempre ficará em nós,
Ainda que não estejam atados por nós e mais nós...
No retrós que é o viver a cada dia,
(Não como o último, mas sim o primeiro.)
Efêmero apenas as borboletas e as flores,
Jamais os verdadeiros amores,
Que colorem primaveras e verões,
Pequenos campos e Grandes Sertões...
Com a sua felicidade em cores e perfumes...

Menos Guimarães e mais Rosas
quero colher ao amanhecer,
todos os dias no bosque encantado do Amor,
Para entregar-te de noite em costurado ramalhete em flor,
Pois a felicidade é um jardim multicolorido e imenso,
Todo florido por felizes, intensas e enluaradas recordações...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema escrito por mim em 25/09/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minha autoria, e feita a partir de recortes de revistas antigas, usando tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

24/09/2009

Bibelô


Pequeno objeto delicado
para adornar meus dias;
pequena estrela no céu
para enfeitar minhas noites;
um adereço que contém em si
meu verdadeiro endereço;
todo o apreço que trago comigo
não há como avaliar
o preço incalculável de meu amor...

Um encanto a enfeitiçar meus dias,
um enfeite a encantar minhas noites;
um sentimento que nasce e cresce
que nem árvore ornamental;
um adorno que cria andares e floresce
como uma construção piramidal...

Todo bibelô é pra quem o recebe,
como carregar consigo
uma equação matemática
de uma pequena amostra do universo.

Todo bibelô é para quem dá
muito mais do que
um amontado de palavras
que compõem estes versos...
É impossível de descrever
o sentimento adornado
sem cair no banal.
Há em mim o sentimento de mundo
contido num bibelô,
peça única, sem igual...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poesia de minha autoria, escrita em 24/09/2009. Protegida pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

22/09/2009

Biscuit



Tens a beleza qu'eu nunca vi,
tens a pureza qu'eu nunca senti,
tens a certeza qu'eu nunca vivi...
És minha riqueza, meu pequeno biscuit...

Tens a natureza qu'eu nunca percebi,
tens a fortaleza qu'eu nunca nutri,
tens a esperteza qu'eu nunca convivi...
És minha alteza, meu pequeno biscuit...

Tens a delicadeza qu'eu sempre previ,
tens a gentileza qu'eu sempre ouvi,
tens a sutileza qu'eu sempre compreendi...
És minha princesa, meu pequeno biscuit...

És jovem e terna, és firme e frágil,
és doce e eterna, és bela e imprevisível.
Conservas em ti toda a esperança e grandeza
das noites claras como os dias
que passam por mim, assim assim...
És minha leveza, minha clareza;
a única certeza entre tantas dúvidas
que passam por mim, assim assim...
És minha vida, a melhor parte
do mundo em que sempre vivi...
antes mesmo de ti...
És meu céu azul profundo,
meu oceano pacífico, onde mergulho, afundo,
meu pequeno e valioso biscuit...
Todo amor que se preze, deve ter algo assim,
um pouco de saudade, e outro tanto de beleza,
um pouco de felicidade, e outro tanto de delicadeza,
algo que lembre um imenso biscuit...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poesia de minha autoria, escrita em 22/09/2009. E protegida pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagema cima, de minha autoria, a partir de recortes de revistas antigas, usando tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o microcomputador.

17/09/2009

O Alvo e a Seta


Mote: "(...)o caminho se faz entre o alvo e a seta...",
de Pedro Abrunhosa in Quem Me Leva Os Meus Fantasmas.



Sempre vivi sozinho a caminhar,
além de minha própria sombra e de meus indecisos passos,
muito além dos meus próprios caminhos e cansaços;
ainda que às vezes o alvo fosse algo inseguro e incerto,
mas tudo mudou no dia que a seta veio o meu destino apontar...

Nenhuma seta voa livre ao acaso no espaço;
sofre no ar a ação do vento e pode mudar o seu traço...
Às vezes, o alvo se movimenta sem avisar
e se a seta não for teleguiada
perde-se no infinito de um mirar...
Eu fito o horizonte aflito da saudade,
toda vez que você, perto de mim, não está...

Nem sempre a seta acerta o alvo em cheio,
mas, contudo, entretanto, toda/via, finalmente,
se passa perto do mesmo,
causa zunido, arrepio e um breve desacomodar...
Para o apaixonado, lembra fino assobio;
para o descrente, parece mera assombração...
Nem todo arqueiro, por mais perito que seja
em seu ofício de dardejar, consegue de fato
ao alvo certeiro do amor alvejar...

Só sendo Robin Rude demais
para disparar dardos e setas a esmo,
sem se importar com o alvo perfeito,
apenas com o simples e breve ato de algo flechar...

Diz a sabedoria popular que o melhor caminho
para que a seta ligeira acerte ao alvo imóvel
(quanto mais distante este estiver de nosso mirar),
é que o disparo seguro e firme
não deva ser nunca, jamais, em linha reta,
mas sim feito em forma de alongada curva para o alto...
E assim sendo, o arco-íris que ela desenhará no céu,
distendido rumo ao horizonte das incertezas,
voando sobre montes, rios e pontes,
despencará veloz rumo ao chão,
na doce trajetória de quem busca no infinito
um novo sentido para a própria existência;
desejando ao coração visado
torná-lo vazado pelo seu transpassar...
Ah, tempo veloz! Que seria da seta sem o alvo?
Que seria do amor sem o amar?

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poesia de minha autoria, feita em 17/09/2009. Protegida pela lei dos direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de uma colagem de minha autoria, feita há cerca de 10 anos atrás, a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Título da poesia e inspiração da mesma a partir do verso "(...)o caminho se faz entre o alvo e a seta...", da canção de Pedro Abrunhosa, de Portugal, intitulada Quem me Leva Os Meus Fantasmas (vide letra da canção abaixo).

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas - letra

Maçã Verde


Eu não sabia, mas ao apreciar
a maçã verde daquele pomar,
meus olhos de castanhos
em ti postos, doce infância,
ficaram verdes cintilantes
tanto no sentido, como na cor...

Verde: esperança de dias melhores
presentes em cada um de nós.
Ver-te, faz de meu pior dia,
o meu melhor despertar, florescer...
Ainda que a maçã mais conhecida
seja vermelha e enfeitiçada pela paixão,
a verde não é apenas na cor,
um tanto quanto diferente das demais.
A verde também difere
de todas as outras em um pomar,
pois só ela tem um precioso sabor...

Enfeitiçado pela maçã vermelha,
primeiro Adão, que amou perdidamente Eva,
depois a menina Branca de Neve,
passeando no doce bosque da ficção,
fizeram-nos temer pela vermelha fruta.
Ó quanta tristeza para pouca labuta...

A minha maçã verde
é como qualquer outra vermelha maçã,
mas tem pra mim um outro e único sabor...

Verde, cor da esperança...
Ver-te me faz de novo criança,
traz comigo a floração de um novo dia;
todo dia se é feliz, quando se colhe
a maçã verde de um maduro amor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema escrito em 16/09/2009. Protegido pela lei dos direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita há mais de 10 anos, com recortes de antigas revistas, usando tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

16/09/2009

Websarau: Quando Nela Rio: "El árbol enamorado"


Fonte: http://quandonelario.wordpress.com/2009/09/15/websarau-3-el-arbol-enamorado-por-jose-roig/

O vídeo acima, feito por mim mesmo em 15/09/2009, no entorno de meu trabalho (Museu Oceanográfico da FURG, Eco museu da Ilha da Pólvora, Ilha dos Marinheiros, EEEF Barão de Cêrro Largo e NTE), foi elaborado após receber o convite da amiga e colega Andréia Pires - parceria das letras no blog RPG - Role Poetic Games ou Jogos Poéticos Virtuais.
Escolhi para interpretar no Websarau organizado por Déia para divulgar a obra de Nela Rio, o lindíssimo poema "El árbol enamorado" (vide abaixo). A autora Nela Rio foi objeto de dissertação da jornalista e professora Andréia Pires, no mestrado em Letras (FURG), área História da Literatura.
Visitem o blog Quando Nela Rio, no link abaixo:

Quando Nela Rio

El árbol enamorado

¿Por qué esta tarde y esta hora una imagen
entra en mi pensamiento invocando lejanías?

No sé si erguido para tocar el viento que disuelve el tiempo
o como una certidumbre del espacio ya sin bordes,
como un dedo lícito, un árbol reclama
una tarde, una hora, mi mirada tocando sus hojas,
y aquel beso adolescente que ensayé en su tronco.

Te veo ahora. Eras joven, álamo andino,
y yo te había dado un nombre.
Te lo susurré entre las ramas
y te estremeciste como cuando te besaba la brisa.
Leía poemas apoyándome en ti y me cubrías,
sombra amante, y te crecían brazos.

Y ahora, ¿que buscas, enamorado? ¿Mis memorias?
Tu deseo vigilante, ansioso de altura, entra en mí
y juntos formamos la eternidad que buscas.

Quédate en paz en tu paisaje de montañas,
deja que el otoño decida los colores del recuerdo.
Nela Rio

15/09/2009

Saudade


O sal da minha terra
e a flor da tua idade...
A saudade sempre me acompanha
por toda parte, em qualquer cidade.
Invento um mundo só meu
para contigo morar.
Vou lá em um segundo
como o pássaro que chega ao céu,
tanto ao dormir quanto ao acordar...

O que é a verdade
senão a certeza de um mirar?
O que é a saudade
senão a felicidade que vem nos buscar?

Meu amor não é igual ao teu,
isso é a única certeza que trago comigo,
assim como a minha vida não é igual a tua,
cada um nasceu com o próprio umbigo...
Porém, te digo:
é só por ti que dentro de mim um sol arde
de manhã até o final da tarde...
Todos os dias
uma saudade floresce no jardim,
cobre os telhados, às casas invade...
Ainda que moremos ou não
na mesma rua, na mesma cidade,
meu nome já nem sei mais qual é...
mas o teu sei de cor e salteado:
é pura e simplesmente Saudade!

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 15/09/2009. Protegido pela lei de direito autoral.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, feita há cerca de dez anos atrás, a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

12/09/2009

Sete Vidas


Ninguém escolhe nunca nada:
nem o próprio nome,
nem os pais que lhe darão a vida,
tampouco a cidade ou país que nascerão.
São as não-escolhas que fazem parte
da identidade de cada um. Amém.
Uma vida é pouco para se viver
todos os sonhos que
tivemos, temos e ainda teremos...
Sete são os mares,
sete, os dias da semana;
sétima é arte que perpetuou a paixão,
além das telas do cinema e da televisão...
Sete vidas são insuficientes para amar
e dizer tudo a um amor imenso...
Muito maior que a própria imensidão...

Ninguém escolhe ninguém.
É o amor que nos escolhe ao acaso,
como se fosse um deus brincalhão,
jogando seus dados aos céus
com o destino incerto na chão...
Um deus irriquieto que
recolhe-nos numa sequência de números primos
em seu pequeno recanto de contemplação;
e que lança sobre nós
seus supostos dardos e flechas envenenadas,
como se fossem imperceptíveis pingos de chuva,
disparados por pigmeus selvagens... Bobagem?
Podemos passar toda a vida fugindo dela
- a chuva fria que de repente faz-se quente -, mas
um dia ela virá nos molhar por inteiro,
fazer-nos pular pontes e poças d'água
em maravilhoso contentamento e com/paixão.

Ninguém passa por essa Vida incólume;
cada um é o vaga-lume de algo, vago sonho para alguém -
brilho nos olhos na escuridão da noite sem fim,
pequenino farol na imensidão do tempo -
cais para o navegante que há em mim.
Ninguém vive de fato a vida
se não tiver um grande amor de novela ou de cinema,
ainda que esse seja incompleto, platônico,
vivido somente pela metade à espera do acordar
do mundo, do dia, do próprio amor...
Um dia bem vivido se compara à toda eternidade...
E nem letras ou números inteiros darão conta dessa equação.

Afinal,
nunca saberemos com plena certeza
se a pessoa amada é o que de fato imaginamos dela;
nunca saberemos definitivamente se somos a pessoa
que imaginamos ser para nós mesmos;
nunca saberemos tudo, jamais, por completo
de nós ou dos que nos rodeiam,
nesse estranho balé de dias e noites vivas,
sonhando acordado e desperto divagando
por um imenso corredor;
pois, a vida é assim mesmo,
feita de instantes únicos,
moldados mais pela imaginação do que pela realidade.
Por isso, creio que somos todos
belos personagens inconscientes
de um livro imenso com final em aberto,
escrito por um autor insone e não-identificado,
que na solidão de seu mundo imenso,
criou tudo em sete dias para que nós
em sete vidas revividas
pudéssemos a tudo isso compreender...

A vida é uma grande viagem
em que somos passageiros de uma só saudade:
a que foi vivida, a que está sendo sentida
e a que um dia ainda virá à noite nos dar às mãos...
Até descobrirmos o amor em nós mesmos, vagamos:
por sete dias, em sete cidades,
por sete vidas, em sete mares.
Temos a cada vida a ser vivida,
sete caminhos na bifurcação do destino,
sete portas a abrir e sete chaves a escolher...
Quando se tem um amor de sete vidas,
o guardamos com todo carinho a sete chaves...
Quando habitamos o amor, esse passa também
a habitar nossas sete vidas, por sete dias da semana,
aonde quer que se vá...
Sete certezas tenho em vida:
em todas as sete vidas que tenho direito
eu irei ao meu amor ora esperar, ora acompanhar...
Quem não tem um amor assim, de sétima arte,
quem sabe, em parte nem exista de fato,
seja fruto somente (e não semente!)
de uma fatídica tarde de uma sétima ilusão...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, feito em 09/09/2009 (em plena viagem entre Rio Grande e Porto Alegre-RS-Brasil), e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, montagem de uma colagem de minha autoria a partir de recorte de revistas antigas, usando tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.

07/09/2009

Bonsai


Na pequena casa interior,
residência de meu (e-)terno amor,
você sempre morou em mim,
mesmo quando eu nem sabia
que você existia, feito um bonsai,
além de meu diminuto jardim...

Na pequena casa interior,
estão hoje espalhadas por todas as peças
tuas fotografias em diversos porta-retratos,
marcados pela flor da tua idade...
Independentemente do avanço da cidade,
o amor jamais acabará em nós
(ainda que vez por outra se venha a podar suas raízes),
já que é funda em mim a fonte da tua saudade...

Diante da possibilidade do improvável amor surgir,
e da impossibilidade do viver sem a tua atenção,
sempre esperei por algum sinal revelador:
um trem, o sono, um retrato,
um espelho, o sonho, um quarto...
Mas ele, o amor verdadeiro, de fato,
sempre me habitou, feito um bonsai;
faltava-me apenas reconhecer em ti o amor
que nesta vida jamais vivenciei antes;
pois você, apesar de antes desconhecida e distante,
na verdade, sempre esteve, como um bonsai,
contida e protegida do mundo lá fora,
dentro de meu misterioso jardim em flor...

Ah, o amor! Delimitado jamais pelo tempo,
demarcado apenas pelo espaço, sempre ultrapassa
a fronteira imaginária que separa o real da ilusão.
Longe é um lugar que não existe no mapa
quando se é feliz, feito um bonsai nalgum lugar...
O que importa é apenas viver bem a cada dia...
Se numa floresta ou numa casa, isso tanto faz...

Descobri sem querer que você, como um bonsai,
requerendo todo o cuidado e a devida manutenção,
é o meu grande e doce “problema”,
pois és tudo que eu sempre sonhei pra mim
e, percebendo em tempo que você existe sim,
pude, enfim, cultivar a cada dia essa doce emoção...
A arte do bonsai é como o amor em estado de suspensão...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, feito em, 07/09/2009, e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria a partir de recorte de revistas antigas, usando tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.