09/02/2010

Almaville


O tempo sempre está a tecer nossa vida
com seu fino fio em seu imperceptível tear...
Há um lugar fabuloso, aldeia diminuta, interior,
em que o amor vence a dor e antecede o amar...
Um local onde não existe nada -
tudo é por nós inventado,
até mesmo a eterna amada,
quando esta sequer existe de fato,
além de o nosso acordado sonhar...

Almaville é um misto de terra prometida e encantada,
localizada na fronteira com o País dos Sonhos,
onde todos os nossos planos incubos
ainda que sonâmbulos e infecundos
estão para a qualquer momento despertar, despetalar...

Almaville é um recanto misterioso
no fundo de cada olho que se põe a brilhar;
um reduto tranquilo no meio do nada,
onde encontramos abrigo e proteção;
um canto dentro do peito, para onde sempre vamos,
quando sonhando acordado e com o corpo insone
num outro mundo fantástico, imenso mar interior,
passamos em nós mesmos a mergulhar, vagar...

Toda vez que meu amor está longe de mim -
longe de tudo que sou e estou -
faço um esforço imenso, concreto, real
para a esse mundo de sonhos, enfim,
apenas com a roupa do corpo
eu possa me teletransportar...

Almaville, mais que um local no mapa,
é um destino incerto, onde todo poeta
encontra a sua musa perfeita
que lhe dá sentido ao viver e ao amar...
O dia que Almaville estiver despovoada,
talvez, o que chamamos de Mundo
esteja ameaçado de sobreviver, prosperar...

Em Almaville, tudo é possível de se acreditar.
Lá o coração dispara tal qual estrela ninja;
no mundo real há quem até um amor finja,
mas nesse reino encantado é impossível de
sonhar sem viver, tampouco viver sem amar...
Se para alguns o corpo falece ainda em vida,
nesse pequeno mundo a alma permanece para sempre,
como criança feliz brincando sem pestanejar.

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, feito em 09/02/2010 e protegigo pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: O título do poema foi criado antes mesmo de saber que existe no estado do Tennessee (EUA), uma cidade de pouca mais de 20 mil habitantes com esse nome.
Observação 4: Poema composto ao som da canção I Hope I Know You, da banda The Clientele, vide link abaixo:

The Clientele - I Hope I Know You

06/02/2010

Pingente


Um pingo de chuva já foi mar;
uma lágrima, como um pingo de amor,
deu vazão a todo um amar...
Um pingo de lava despertou um vulcão,
um pingo de gente, qual pingente,
iluminou toda a escuridão...
E o amor, antes extinto,
tornou-se ativo, quando menos se esperava,
quando já se estava até do amor a desconfiar...

Um pingo escorre na parede –
e no calor do amor, numa rede a balançar...
Um pingo na vidraça,
com outros aposta corrida –
na brasa do amar, de tudo achamos graça...
Um pingo nas costas –
e o calor sem explicação que vem e nos abraça;
e nunca passa...
Um pingo na calçada, salta de uma poça ̶
e a enchente de teus olhos
que vem da tua roça, me roça e me arrasa
sem pestanejar.
Um pingo no telhado furado –
e a tua residência passa a ser a minha casa
e a minha casa o teu lar doce lar...

Como um pingo, depois outro e mais outro,
o amor inicia e nos abraça, nos prende e nos arrasta,
como quem quer uma nova dança nos ensinar...
A delicadeza da brisa faz o turbilhão do vento acalmar...
O amor verdadeiro é como a chuva:
vive em nós a pipocar...
O amar é como destilar cada pingo da uva
e, no sabor de cada breve momento, à vida saborear...

O amor é como, ora um pingo, ora um pingente,
pinga na rua, na casa e na gente;
brilha, reluz, ilumina o nosso sonhar;
faz a gente voltar a ser criança,
ter sonhos de gente grande e renovadas esperanças:
De que o pingo vire mar...
O amor, como um pingo, nos perpassa;
como pingente, vive nossos dias a enfeitar...
Para quem ama de verdade, até um “pingo-de-gente”
torna-se um imenso e real pingente a brilhar...
Até um pingo de suor parece um pingente,
pingo de gente ao corpo do outro a adornar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 06/10/2010 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

05/02/2010

O lápis do tempo


O lapso de tempo,
o lápis do tempo e a nossa vida
num papel em branco a se desenhar...

Por um lapso de tempo
podemos viver sem amor,
jamais sem o amar...

Cada um tem o seu papel,
um na vida do outro,
seja perto ou distante.
Diante um do outro,
cada um deve ser visto sempre como o outro,
nunca o reflexo de si mesmo...
O que a um move ao outro comove,
enquanto um vive o outro dorme,
se um desenha o outro pinta,
assim é a vida dos que se amam,
entre o lápis azul do tempo
e o norte e o sul de um mirar...

Quando a noite adormece, eu anoiteço,
quando o dia acorda, eu amanheço,
desconheço sensação melhor
do que ter um amor sincero
pra se guardar ou aguardar...

É no sonho perdido que o sono retido
pode dar-nos, por um lapso de tempo,
uma segunda chance,
uma outra oportunidade,
uma nova mocidade para reescrever
a vida, a felicidade, o amor e o amar...

José Antoio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 04/01/2010, e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

04/02/2010

Linhas ao vento


Entrelinhas... entre versos,
entreveros, entre ventos...
o mundo vive a girar...
Na linha do vento, enfileirado,
o tempo costuma sempre marchar.
Na linha do tempo, bordado,
o vento parece vez em quando bailar.

Tudo o que existe no mundo
é composto por linhas entrecruzadas;
linhas lançadas ao vento e ao tempo
por mãos que esperam a um sonho vivo empinar;
linhas que se entrecruzam em algum momento,
caminhos riscados por pipas, traços e abraços,
em forma de linhas imaginárias,
ora transversais, ora perpendiculares;
em que alguns laços servem para elucidar,
outros, somente para nos enredar e enveredar
por caminhos labirínticos de um olhar...

Linhas ao vento, iscas de indecisão
presas à ponta de cada anzol;
imensas interrogações inversas,
pescando mais dúvidas do que certezas
em algum solitário coração.
Linhas ao vento, multicoloridas,
em forma de pipa, pandorga, papagaio
e qualquer outro nome que possam dar
à forma que os homens criaram
para à solidão dos dias, no vento das horas, empinar.

Linhas pautadas do caderno,
são meios-fios de constatação;
linhas ao céu, nuvens riscadas pelo avião;
no chão, trilhos de trem,
na curva da estrada, apito e anunciação...

Linhas de costura, para reformar roupas velhas,
para vestir os lamentos e despir as contradições;
linhas de sutura, contraponto à brancura,
para nos dar nova roupa à vida velha,
revivendo o sonho que vira e mexe
vem nos agasalhar, retalhar, costurar...

Linhas telefônicas,
para nos comunicar com o mundo
daqui, dali e de acolá;
linhas do horizonte,
para lembrar a todos que sempre
tem algo ou alguém mais além de nós.
Muitas linhas ao vento,
jogadas ao tempo pela mão do destino incerto,
muitas vezes procurando o amor e encontrando a paixão.

No imenso carretel de emoções,
carrossel de situações, que no fim da linha
somente o tempo e o vento sabem entrecruzar,
há sempre uma criança feliz,
empinando seus sonhos e aeroplanos
no vento mágico dos suspiros de uma boa recordação.
Na linha do vento, o tempo sempre vive a marchar;
na linha do tempo, o vento, vez em quando decide bailar...
No final da linha há sempre momentos de revelação.

Poetar é saber elevar a palavra e a rima,
muito além do próprio horizonte;
é fazer uma ponte-aérea
entre o pensar, o dizer e o silenciar...
É criar metáforas vivas
onde a maioria só lê meias-verdades.
Poetar é na linha do vento
fazer o próprio poema voar...
Na linha do tempo,
o poeta segue o fio condutor
de seu próprio labirinto interior...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 12/10/2009, e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feito a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador. Imagem já utilizada no poema A outra realidade, também de minha autoria, e publicado neste blog. Publicada novamente pela força da imagem em confronto com o texto poético.
Observação 3: poema inspirado no título do blog Linhas ao vento, da poet'amiga Gloria Diogenes.

24/01/2010

A casa após a vírgula


A casa do meu morar,
vive dentro de mim
aonde quer que eu vá.
Uma casa pequena
de quarto, sala, cozinha e banheiro,
de onde vejo o meu mundo inteiro,
um diminuto reduto que vive a me abrigar.

Casar é muito mais do que
viver a dois numa mesma casa, morar...
Casar, muito mais do que
unir suas casas e móveis.
Casar: construir a própria casa,
com paredes e cômodos sólidos,
erguendo sonhos entre escombros e incômodos,
com a certeza de não soterrar.

Guardo em mim o melhor de ti,
quero que guardes em ti o meu melhor, sim,
como se tudo fosse quadros multicoloridos
de momentos vividos e sonhados;
nada de armazenar quinquilharias
em porões e sótãos empoeirados.

Na sala de estar de meu bem viver
quero estar contigo todos os dias;
morar além do habitar;
viver além do simples existir;
sentir além do tocar...

Numa casa após a vírgula
sei que você está a me esperar...
A casa é o meu mundo,
o mundo é a nossa casa...
Quero sempre poder
casar contigo os meus sonhos,
viver na mesma sala de estar,
assistindo pela janela nossa vida passear...

Numa casa após a vírgula
eu te encontrei sem sequer esperar,
numa casa após a vírgula
quero contigo viver, pra sempre sonhar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 24/01/2010 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poema escrito ouvindo a canção The World We Live In (Esse é o mundo onde vivemos), da banda The Killers, link abaixo:

The World We Live In - The Killers

02/01/2010

Pequeno paraíso


Você é tudo o que eu preciso,
meu pequeno paraíso,
um lugar encantado e impreciso,
que não existe em nenhum mapa mundi ou celeste,
que nenhum satélite pode localizar.
Um local encantado que só existe dentro de mim
toda vez que te vejo passar...

Você é tudo o que eu preciso,
e tudo o que eu necessito
está contido dentro de mim
quando você passa a me habitar...

Ah, o amor e o amar!
Se lá fora impera o caos,
aqui dentro você é a minha
felicidade, alegria, paz e saudade.

Se você já não me habitasse
desde sempre,
eu teria que me habituar
a todos os dias te procurar...
Procuro mil e uma palavras
pra definir o que sinto...
Sinto muito...
Amor é pra se sentir
não pra se conceituar...

Meu pequeno paraíso
é como um pequena cidade
denominada Saudade,
que mora dentro da gente
mesmo antes da gente ir lá morar...

Meu pequeno paraíso
é como uma ilha verde,
no meio do nada,
um pequeno oásis em pleno deserto
dos dias que passam sem avisar...

Tenho consciência de que
só se pode ser imenso, intenso,
quando no pequeno paraíso interior
passamos a viver, morar e namorar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 02/01/2001 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando seu resultado para o computador.

30/12/2009

Esperança


Esperança é uma criança imensa
que se recusa a virar gente grande...
Esperança é um sentimento duplo:
de saber esperar pelo que vale ser aguardado
e de procurar pelo que deve ser achado...

Esperança de nova vida na mesma vida, diante
da fadiga dos metais,
do “mais do mesmo” dos mortais,
dos desejos dos iguais...

Esperança é o viver como um sonhar,
é o sonhar aguardando o vivenciar,
é ser uma parte e querer o par...

Esperança é a musa do todo poeta,
janela entreaberta entre
o sonho e o despertar,
o sono e o acordar...

Esperança é acreditar nos sinais,
que estão presentes em nós mesmos...
Eu te esperei quase toda a vida,
e se preciso te esperaria muito mais...
Se não existisse o poeta te criaria,
esperando-te por toda vida e um pouco mais...
Não sei definir bem a cor da esperança -
é algo mais pra se sentir do que falar -,
mas acho que ela tem a coloração de teus olhos
quando o brilho dos mesmos atiçam meu coração...

Que seria da vida sem o esperar?
Que seria da vida sem o sonhar?
Que seria dos sonhos sem uma vida para colocá-los em prática?
Que seria do amor, sem antes a paixão?
Que seria do fogo sem a brasa?
Do vento sem a brisa? Do mar sem a onda?
Da pena sem a asa? Da janela sem a casa?
Da porta sem o portal?

E a vida segue entre asteriscos e reticências...
Arrisco em dizer que prefiro escolher sempre
uma vírgula a um ponto final...
Afinal, se na vida nem tudo é poema
sem poesia tudo no mundo torna-se banal.
Esperança é tornar o comum em imortal...
Se a paixão nos aprisiona,
o amor é a esperança que vem nos libertar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 30/12/2009 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poema inspirado na canção A Cor da Esperança, de Diego Torres, link abaixo.

A Cor da Esperança

11/12/2009

A Segunda Vida


Todos têm uma Primeira Vida,
onde tudo podem fazer, errar e aprender.
Todos têm uma Segunda Chance,
uma segunda vida, uma segunda vinda
para tudo reescrever, remodelar, reviver...

Todos temos uma primeira vida banal,
onde vemos tudo como de fato é:
pedra é pedra, flor é flor,
pau e pau e etc. e tal...
Em nossa Segunda Vida,
como num jogo virtual em três dimensões,
quando enfim descobrirmos
a passagem secreta que nos conduz
ao que é de fato o amor e a felicidade,
tudo passa a ter outra imprevista significação,
uma outra mágica dimensão
abre-se para nós, em torno de nós,
como um misterioso e poético vitral...

E os olhos vivos,
que antes viam mas não enxergavam,
a boca livre que falava mas nada dizia,
o corpo leve que seguia mas nunca chegava
a algum lugar, naquela Primeira Vida,
neste novo portal, tudo que era normal
transfigura-se como o papel que vira jornal...

Eu deito, durmo e morro todas as noites,
e no dia seguinte ressuscito,
quando percebo que a musa existe,
além de mim, no ir e vir do tempo,
como a mais bela flor (jasmim?)
que vi se abrir em meu vazio jardim...
Jaz em mim, a Primeira Vida,
onde tudo foi preto e branco (arroz com feijão),
em que eu não distendia o arco de meus sonhos
nem via o brilho da íris de tua razão...

A Segunda Vida
é um meio natural de teletransportar-se
para a dimensão maior do amor.
Só não consegue lá chegar por completo
quem jamais descobriu na poesia
um código secreto do amar sem nada esperar,
do juntar muito mais do que letras e linhas
entre o pensar, o escrever e o falar...


Dos sete véus que ainda não descerrei,
dos sete mares por onde nunca naveguei,
das sete vidas que tive, tenho e ainda terei,
a Musa é a coisa mais preciosa que julguei
existir somente na fecunda imaginação
de algum insone e solitário escritor...
Hoje sei que ela existe além de meus sonhos,
nada tem de poética e profética idealização...

Na Segunda Vida, uma segunda via
Leva-nos a acreditar que os sonhos
um a um podem se realizar...
Foi por te amar, ó Brisa que me serve de musa,
que eu, Vento da Segunda Vinda,
descobri que minha Primeira Vida
foi um caminho necessário para te (re)encontrar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em, 11/12/2009. E protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, feita há mais de 10 anos, a partir de recortes de revistas antigas, utilizando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poesia feita sob forte inspiração da canção "Festival", da banda islandesa Sigur Rós (link abaixo para o videoclip).

Festival - Sigur Rós

07/12/2009

Mar de dentro


O medo e o mar,
o medo do mar e
o medo de amar...
Quando quero sentir o teu amor,
ao mar adentro...
É no mar de dentro
que sempre encontro o meu amor...

O amor solitário encontra refúgio
no mar de dentro,
onde é possível mergulhar sem se afogar.
Toda vez que a saudade em ondas
bate à beira da praia, eu mar adentro...
No mar de dentro vivo a velejar...

Nunca se sabe ao certo
se o amor adentra vez em quando nosso mar
ou se sempre esteve dentro de nós a nos a-guardar...

No mar de dentro,
o passado é o presente vivo em nós;
o presente é que torna-se passado
para os que temem tanto as ondas do mar atroz
como o voo longo e alto do albatroz...

Quando no mar de dentro adentro
não quero mais falar de amor, apenas amar...
Meu amor sempre deseja casar-se com o teu marejar.

Todo o grande amor é pra se guardar
no mar de dentro, pois rima também com o amar...
É no remar dos dias que descobrimos
um mundo novo em nosso olhar...

Se o amor é como o mar de dentro,
que nos habita,
a vida é como um rio,
e o rio é como um livro,
ambos possuem suas margens,
fazem parte de nossa paisagem
interior e exterior...

Se a vida é ora rio,ora mar que eu adentro,
às vezes também somos o pequeno barco à deriva,
circunavegando o arquipélago dos Açores
em busca dos Amores que estão ao nosso redor...
É somente no mar de dentro que encontramos
o verdadeiro amor por quem vivemos a esperar...

Amar é adentrar ao mar de dentro,
onde está o verdadeiro amor...
Se o amor não está dentro de nós,
não estará em nenhum lugar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, feito em 07/12/2009, e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando seu resultado para o computador.

26/11/2009

Desiderata



Aquilo que se deseja: Desiderata.
As coisas que se deseja: Desideratum.
Quero uma casa, onde eu more dentro dela
e ela coincidentemente dentro de mim;
quero um amor, onde eu viva dentro dele
e ele consequentemente dentro de mim;
quero a felicidade, onde eu caiba dentro dela
e ela cumplicemente dentro de mim...

Aquilo que eu desejo
tem nome e sobrenome,
tem endereço e telefone,
tem corpo e alma,
é brisa e calma...

Das coisas que desejo,
todas são acessórias e dizem respeito a ela;
que me fazem sentir a presença dela
aonde quer que eu esteja:
a voz, o sorriso, suas palavras,
a doce beleza, seus passos e suspiros,
seu perfume e sua fortaleza...

Toda riqueza do meu mundo
existe por conta de sua presença.
Minha vida seria qualquer coisa,
uma coisa qualquer, sem a sua existência...

De todas as coisas que desejo, desideratum,
entre todas, somente uma me preenche a vida:
minha doce e querida Desiderada,
a princesa Brisa, herdeira do País dos Sonhos,
por quem o Vento vive a suspirar...

De todas as coisas do mundo,
você é a única coisa que eu ouso desejar,
todos os dias de sol e de chuva.
A única coisa que vale a pena
por toda a vida esperar (vinho que vem da uva)
muito além do desejo do amor e do amar...

Ser feliz é tão simples,
apenas um exercício de saber a-guardar...
É somente o amor divino e real
que, na alquimia das noites claras como os dias,
separa o momento mágico do vulgar...
Quem ama, identifica a moeda de ouro do simples metal...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 26/11/2009 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado pro computador.

25/11/2009

Do amor, eu nada sei


Do amor, eu nada sei,
o pouco que sei é do amar...
Amoras silvestres no bosque da paixão,
amores impossíveis entre ciprestes.
Amor, um conceito; amar, uma constatação...
O amor é bipolar,
ora nos faz imensamente felizes,
ora extremamente tristes.
Quem mandou ter um coração!

Pode-se viver sem amor, jamais sem amar...
Eu nada sei do amor, o que aprendi foi com o amar...

Eu nada sei de muitas coisas,
mas descobri que o espelho d'água
é criação divina da natureza
e que o espelho de aço
é construção artificial da humanidade...
Os homens aprenderam a se dar espelhos
para nunca se aprofundarem
nas águas claras da realidade.
Ficam que nem moscas diante do vidro,
não mergulham no azul profundo
do mar de dentro de si mesmos...

Eu nada sei do amor,
tudo que aprendi foi por te amar demais.
Do amor, quero poder viver um completo,
com início, meio e eterno recomeçar...
Do amar, quero saber nadar
por águas claras como o teu sonhar...

Tudo que sei é que te amar
alimenta meus dias e noites,
teu amor me faz viver -
dia sim, outro também - a viajar...
Foi na enchente dos teus olhos
que eu vim sem querer me afogar...
Mas não foi sem querer que,
num dia com o outro qualquer,
passei todos os dias a te desejar...

Do amor, eu nada sei,
o que aprendi foi a nadar
nas águas plácidas do teu olhar...
Pode-se viver eternamente sem um grande amor,
jamais existir sem sentir o que é o verdadeiro amar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 25/11/2009 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

20/11/2009

Memória fotográfica


Recordação:
nossa pequena máquina do tempo
portátil...
Às vezes, expandida, outras retrátil,
alguns momentos lembrados,
outros, rapidamente esquecidos:
projétil...

O amor pra quem ama é sempre
um processo de luz, de chama,
algo muito foto revelador...
Quero sempre poder disparar
mil e um flashes ao teu redor,
capturar pela lente de meus olhos,
toda a beleza e essência
do teu, do meu, do nosso amor...

Dos meus mais belos poemas
e de teus mais ternos fotogramas,
minha fotográfica memória,
seja onde for que você esteja contida,
selecioná o teu melhor pelo meu obturador...

Lembrar é como rever um filme
da própria existência,
com a consciência de que,
ainda que não sejamos mais os mesmos,
continuamos em parte
dentro de nós voluntariamente presos...

Habitados por imagens em movimento,
somos tanto o positivo como o negativo
da imagem que expomos a esmo!
Somos de fato o mesmo que pensam de nós
e que de nós próprios pensamos?
Retrátil...

Nossa imagem é composta de fotografias
capturadas por algum Fotógrafo Maior.
Somos muito mais do que demonstramos,
somos mais que o perfil que nos retrata
de frente ou de costas,
de lado ou mais adiante...
Cada um que nos observar terá também
seu instante foto revelador...

Minha memória fotográfica diz que
de todas as imagens que carrego comigo
a tua talvez seja a mais bela;
fotografia que lembra uma aquarela,
pintura rara, delicadeza cara,
que eu quero sempre poder retratar,
lembrar e relembrar aonde quer que eu for...
És, de fato e de direito,
a revelação de um grande amor...

Fotografia em sépia, envelhecida e amarelada,
ora pela máquina, ora pelo tempo,
colorida pela memória fotográfica da recordação:
nossa pequena máquina do tempo portátil...

Tudo na vida perde o sentido,
de se viver e de se fotografar,
se não se tem, ainda que apenas em belas imagens,
tanto faz se coloridas ou em preto e branco,
um imenso e intenso amor...

Mas apesar de todo relembrar
ser um reviver o sonho vivido num sonho sonhado,
há que também dar-se conta de que
mais que recordar, o viver é sempre algo melhor...
Não há amor que viva apenas de lembranças,
se a criança que está morando em nós,
habituar-se com a solidão...

Não, não quero viver apenas de boas recordações,
quero viver todos os dias um grande amor,
e se for sempre com a mesma pessoa,
confesso: será muito mais do que
um mero processo foto revelador...

Eu te amo, por que meu amor por ti
mil imagens de mim mesmo me revelou...
Minha memória fotográfica
me mantém sempre perto de ti,
mesmo quando estou tão distante...
Se estou, ora perto, ora afastado,
isso pouco importa..
Basta regular da câmera interna o zoom...
Diante do verdadeiro amor em movimento,
tudo passa a ser fotograma estático, sem cor...
Num canto qualquer da memória,
entre a íris e a retina, o encanto nunca termina
quando se tem um grande amor foto revelador...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 20/11/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Colagem em forma de mosaico, bem antiga mesmo (mais de 15 anos), pois cada uma das imagens era uma capa pra uma fita de áudio, formato k-7, que hoje é coisa rara, peça de colecionador.

16/11/2009

Mormaço


Estou com fome de tudo,
de vento, de brisa, de mar...
Mas não de comida,
esta ainda pode esperar...

Tenho fome de amor e de felicidade,
de amar à vida contida em teu olhar...
Fome de minhas sombras e tuas luas,
de teus sóis e meus mormaços,
de teus lençóis e meus abraços...
Amordaço os teus caminhos aos meus,
como quem amarra dos sapatos os cadarços...
Vivo cada dia como uma pequena odisseia interior,
pelo teu caudaloso Mar dos Sargaços...

Amarras e amores,
Laços que ora prendem, ora unem
algo ou alguém... amar-ras...
Pessoas que se sentem presas umas às outras,
pessoas que desejam unir-se umas às outras...
Há amarras e amar-ras...

Todo amor é e-terno.
Se não é mais residente em nós,
ele resiste e-ternamente
nos versos e virtudes que nos legou!
Agridoce espólio da recordação...

Todo amor é passado, presente e futuro.
Todo amor que ficou no passado
é parte amargo, parte doce,
pois a memória é como papel almaço...
Um caldeirão de emoções borbulhantes,
feita de estranhos e longos mormaços...

De vez em quando é preciso exercitar essa magia
do olhar às coisas com certo encanto perdido,
encanto que ficou retido na retina infantil...;
como quem vive debaixo de uma árvore perdida,
esperando que o mormaço cesse, passe,
para, se sair do lado escondido da lua,
atravessar o outro lado da nossa rua interior
e poder, ao amor eterno, entre laços reencontrar...

O amor é como o mormaço:
a gente sente e não vê; no início percebe, mas não crê.
Apenas com o passar do tempo é que
aprende a transformar o ferro em aço!

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima de minha autoria, feito em 14/11/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima de minha autoria, fragmento de colagem feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

14/11/2009

Amor'a



O amor quando chega é como a chuva fina,
metáfora viva em que os pingos nos is
caem inesperadamente, um atrás do outro,
em locais mágicos e ímpares,
onde os círculos concêntricos nas poças d'água
logo passam a se entreabrir e se entrecruzar...
assim como fazem na rua as pessoas e seus olhares...

A paixão é como a melhor uva, safra única,
da qual se extrai o sumo que vira o vinho tinto,
para que as cascas jogadas ao chão
possam ser as marcas de um terno pisar...

A Morte, uma senhora rabujenta,
não me amedronta mais que a Vida,
uma bela moça por quem vivo a suspirar...
Mais medo teria meu eu lírico
da existência a ser vivida pra sempre
sem a consciência do amor nem do amar...

Amor agora, fruto que torna-se suco
se aglutinando na palavra amor'a...
Amora, fruta colhida no pé
da árvore dos dias que passam por nós...
Aglutinação de outros minúsculos frutos,
de emoções acumuladas pelo viver...
A vida, o tempo e o sonho...
Em outras palavras pode-se dizer tudo,
mas nem tudo pode ser dito com todas as palavras...

Vive o poeta morando dentro de um sonho acordado,
vivendo algo que todas as palavras não conseguem contar;
quer vestir a musa com a sua exagerada alegria,
enfeitá-la com seus cantos e encantos,
presentá-la com brincos e colares da própria emoção...

Será que vida é o doce sonho possível
E a realidade é que não passa de amarga ilusão?
Uva-passa, passatempo... passa, passa, passará?
Vive o poeta morando dentro de um sonho acordado,
prisioneiro feliz de um conto de fadas sem fim...
Vã filosofia é querer compreender por que nesta vida -
exceção feita ao amor agora, igual: amor'a -,
tudo que é perfeito demais não passa de pura ilusão...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 13/11/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

12/11/2009

Antes de abrir meus olhos



Há um local misterioso
entre o sonhar e o viver,
um país límbico
entre o que é pensado
mas nunca é dito!
Algo difuso, inaudito e inconcluso...
Entre o ser e o parecer...

Minha palavra é sempre bem vestida
por tua mais linda saudade;
minha idade é sempre despida
por tua mais bela mocidade...

A trama, o drama,
o viver e o sonhar...
a trama da vida e do sonho,
o drama de se viver sem sonhar...

O drama de sonhar e nunca acordar,
a trama do sonhar para se realizar,
o drama do viver sem amar,
a trama do viver e somente esperar...

Meu sonho possui asas,
sobrevoa à noite lá fora,
de mais de mil casas após a vírgula,
antes de abrir meus olhos,
antes de comigo mesmo sonhar...

Minha casa possui tua visão,
meu coração possui teu compasso,
meu passo possui tua sensação,
antes de abrir meus olhos,
consigo ouvir bem próximo,
não o meu, mas sim o teu coração...

Antes de abrir meus olhos,
antes de te reconhecer em mim,
além dos sonhos e das saudades,
eu não sabia bem o que era o viver,
acreditava que a vida era
tão-somente um sonho bom pra se sonhar...

Foi por acreditar no meu sonhar,
que enfim abri meus olhos,
e pude do outro lado do meu mundo,
bem ali, num segundo,
dentro de mim te encontrar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, feito em 11/11/2009. protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.

06/11/2009

A noiva do Vento


A noiva do Vento, a Brisa,
sempre avisa, quando seu amado
está para chegar...

Brisa que ao Vento
sempre avisa
sobre a beleza do viver...

Brisa que ensina
ao ansioso Vento
sobre a delicadeza do amanhecer...

Brisa que divisa
a fronteira imprevisível
entre o ter e o querer...

A noiva do Vento, a Brisa,
mantém sempre viva
a brasa, a chama, o fogo,
toda vez que abraça o corpo, a mão,
a lenha, a alma, o carvão...

A brisa abraça a brasa
do fogo tênue e intenso do Amor,
antes mesmo do Vento chegar,
levantando tudo à sua volta,
consumindo às vezes sem querer
o fogo-fátuo da Paixão...

A noiva do Vento, a Brisa,
não precisa ser nada
além dela mesma,
uma linda e bela princesa,
por quem o Vento vive a vagar...

Se a Paixão é como o Vento,
o Amor é mais parecido com a Brisa,
juntos, os dois, fazem o casamento ideal,
entre o tempo e o espaço,
entre o mágico e o real...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, feito em 06/11/2009, e protegido pela lei de direito autoral.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria (feita uns anos atrás), a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Alguns versos desse poema foram criados, durante uma caminhada matutina, sob forte cerração, ouvindo a canção Andvari, da banda Sigur Rós, link abaixo (principalmente a partir de seus 3 min, quando torna-se apenas instrumental, e dá pra se ouvir a brisa e o vento de seus acordes e despertares.

Andvari, da Sigur Rós

02/11/2009

O Filtro dos Sonhos



O que é o dormir? O que é o sonhar?
O que é o acordar e o despertar?
Para muitos uns são sinônimos dos outros...
Não estamos sós neste mundo,
nem na vida nem nos sonhos,
quando sonhamos o sonho de alguém...

Existem teias de filtrar maus espíritos,
enfeitadas com penas e contas,
amuletos indígenas que protegem
o nosso sono e o nosso sonhar.
Você dá asas a minha imaginação
e eu te conto um conto de ninar...
Eu te conto meus sonhos mais profundos,
meus desejos de te acompanhar...
Quero te infiltrar em meus sonhos,
filtrando apenas aquilo que me leva ao teu sonhar...

Existem noites infinitas na Terra,
para aqueles que dormem sem sonhar.
Perco sono de pensar nos que dormiram felizes
com suas vidinhas pacatas e sem sal
e não despertaram mais ao nascer do sol;
tristes dias para os que sonham e sondam
sempre as mesmas coisas e acordam todos os dias
sem jamais despertar para a vida e para o amor!

Têm aqueles que um dia dormiram
para não acordar mais;
existem os que dormem sono profundo
e acordam todos os dias, sem amor nem amar...
É somente o amor capaz de despertar
corações e mentes dormentes
daqueles que vivos não vivem!
Preferem filtrar dos sonhos e da vida
toda a delicadeza e a emoção...

Criar o seu próprio filtro dos sonhos
e saber distinguir das paixões de ocasião
o verdadeiro e inevitável amor,
e este, dos demais, poder filtrar...
Dormir sem sonhar é como viver sem amar!

Água filtrada, tratada, abençoada...
Amor purificado, pelo vento e pela brisa...
Ninar à vida, embalar os sonhos.
Saber en-cantar os dias e o amor,
filtrar das memórias do futuro,
da água parada do lago escuro e fundo
da memória: um sonho a se realizar...

Existem os que dormem e acordam
todos os dias da mesma forma
e jamais despertam para a vida e o amor.
Eu prefiro ser um sonâmbulo do tempo,
com medo de que ao abrir os olhos
meu mundo de sonho não exista mais...

Não preciso meus sonhos decifrar.
Quero sim é aprender a tecer o fio da teia da vida
do meu próprio filtro dos sonhos.
Impossível viver sem sonhar?
Impossível viver sem querer dar vida aos sonhos!
O sonho liberta a alma, aprisionada pelo corpo...
A vida vivida, liberta o sonho
de seu casulo mágico e encantado,
faz no próprio amor poder se acreditar...
Quero sempre poder levar flores
àqueles que dormindo à noite,
de dia poderão de seu transe despertar...
Quero sempre poder dizer “Te amo!”
a quem, antes vivia apenas nos meus sonhos,
mas que de lá eu soube filtrar, para o meu mundo encantar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poesia de minha autoria, feita em 02/11/2009. Protegida pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poema feito sob inspiração da canção Gódan Daginn, da banda islandesa Sigur Rós. Veja link abaixo para a referida canção>

Gódan Daginn - Sigur Rós

31/10/2009

Tchê Amo


Tchê amo, por que te amo
e nada mais precisa ser dito, além disso...
Para se amar algo ou alguém
há que se querer viver primeiro o amor,
ainda que incompleto, inconcluso, imprevisível,
pois nada é de todo pleno e concreto,
por isso nunca se consegue explicar
o que nos é tão contradito...

Tchê amo, por que te amo,
por que para amar basta o amor em si.
Eu te esperei toda vida
sem nada esperar,
nem saber se você de fato existia
ou se era apenas uma idealização;
coisa de poeta,
que vê em tudo matéria-prima
para sua criação...
Tudo o que fiz assim o fiz
somente para ter da musa a atenção.

Tchê amo, por que te amo,
por que espero muito de ti,
por que eu te esperei muito em mim,
até o dia que, enfim,
nossos caminhos se entrecruzaram
sem nenhuma explicação.

E assim, como a boleadeira
que é lançada ao ar com toda a força,
buscando trançar algo rente ao chão,
meu amor fez voo longo e cego
até cruzar com a tua visão...

Dizem que a noiva do vento é a brisa.
E é essa delicadeza que às vezes se precisa.
Se o vento é o ar em movimento,
lamento dizer aos céticos e pessimistas
que o amor é o amar em circulação.
Quando não se tem amor-próprio
somos incapazes de amar alguém...
O amor não é uma entidade física,
não vemos seus sinais, senão interiores,
e quando esse vento, que iniciou brisa
toma conta de nós, e movimenta tudo ao redor,
ainda que não o vejamos, sabemos de sua existência,
pois ele está presente em cada ação...

Nunca devemos julgar as coisas
por conta do que apenas vemos ao redor...
O que eu de fato sou é o que ninguém enxerga.
Eu sou vento e você brisa,
e ninguém mais precisa saber
de que é feito nosso amor...

Tchê amo por que te amo.
Por que aprendi a fazer com que a tua brisa
acendesse de vez a minha brasa,
mantendo sempre firme e forte
o fogo de chão desse nosso amor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, feito em 31/10/2009. E protegido pela lei de direitos autorais, podendo ser reproduzido, desde que cite a sua autoris.
Observação 2: Image acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, digitalizando o resultado para o computador.

20/10/2009

Imenso Amor



Teu amor me faz imenso,
teu carinho torna-me intenso,
teu perfume, meu incenso;
toda vez que te vejo
estou sempre em mim propenso
a ser muito mais do que eu mesmo!

Os dias e os momentos longe de ti
são dias e momentos banais,
despovoados de alegria e beleza,
desabrigados de fantasia e felicidade
desapropriados de magia e emoção...
Meu desejo sem o teu amor,
é corpo sem coração...

Todos os meus caminhos são teus, sim;
pois eles só existem e insistem em me seguir
por que você existe antes deles e de mim...
Meu coração sem o teu desejo
é vida sem razão...

Teu amor me faz forte,
teu carinho é meu norte,
teu perfume minha sorte,
eu não caibo mais em mim
desde o dia que te descobri
e mesmo assim, sou tão pequeno
quando estás, de meu continente, tão distante...
Diante dessa imensidão do teu amor,
sou capaz, como todo bom rapaz, de supor
que o universo é bem menor
que o calor que irradias ao meu redor...

Perto de ti sou imenso, sou um gigante,
e você, ora uma pérola, ora um valioso diamante.
Diante dessa imensidão que é o meu amor,
sou capaz de te propor o suavium:
o beijo pleno e vivo dos amantes...
Errantes apaixonados à procura da imensidão do amor...

Antes tarde do que nunca, disse um dia
o gigante à pequena aldeã,
e daquele dia em diante, um milagre sucedeu:
ele tornou-se Pólux e ela a estrela Aldebarã.
E os dois amantes foram morar juntos no céu,
pois naquela terra de gigantes
tudo ficara diminuto demais,
um porto sem cais,
para abrigar aquele imenso amor...

Poesia é a música do poeta,
música é a poesia do compositor;
alguém disse isso de um outro jeito
e eu fico aqui meio que sem jeito
a replicar sem saber o nome verdadeiro do autor...
Quem será de fato o autor desconhecido
do nosso amor imenso e de nosso imenso amor?

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 20/10/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poema inspirado nos acordes da belíssima canção Samskeyti, da banda islandesa Sigur Rós (Rosa da Vitória), link abaixo:

Samskeyti, de Sigur Rós

18/10/2009

De-Coração



Tudo na vida é questão de Tempo,
muito mais do que de Espaço.
Fiz há muito tempo um pacto
com o próprio mágico Tempo
e o renovei há pouco tempo atrás esses votos:
Viver um dia de cada vez e sempre!
Viver um século em apenas um mês...
Viver a vida que o destino me reservar...

Nada se acaba, mesmo quando termina...
Nada se conclui quando algo se finda...
Sempre continuamos de uma forma ou de outra,
um na vida do outro, ao seu modo e sobremaneira...
Pretérito mesmo só para os que foram preteridos...
Futuro apenas para os que nos são muito queridos...

Vozes, sons e sonhos en-cantam meus dias;
palavras vagam pelas ruas, abrem em mim avenidas.
A vida é muito, muito mais do que
a decoração de ambientes virtuais...
A vida é a de-Coração de um mundo real,
com sua paisagem multicolor, multifocal.

Tempo anti-horário, tempo perdulário
que se dependura no pêndulo a balançar.
O coração faz algo muito similar,
mas em sentido oposto, contrário.
Mas o que dá corda ao coração
é a vida, não o tempo, tampouco o espaço...
Não é o relógio que calcula
a importância dos instantes
e sim o sentimento que dele decorre...
e por nós escorre sempre adiante,
cada dia mais um pouco...
Diante de ti sou sempre o meu melhor,
sou um pouco de meu Outro...
O tempo só é mesmo fecundo quando
podemos nalguém fecundar nossos sonhos,
sejam eles próximos ou distantes...

Decoração é uma palavra misteriosa,
pressupõe mudança das coisas,
transformações espaciais.
De-Coração é uma palavra mágica,
indica a fixação de alguém nalgum lugar,
por vontade própria, tornando uno os desiguais...

Jose Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, feito em 18/10/2009. protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

11/10/2009

Poema deserto



Poema deserto de você, decerto,
é um mundo deserto de meu amor...
Poema deserto é aquele que
não traz nas próprias entrelinhas
algo que fale do teu amor...

Um deserto, decerto,
é um poema preenchido somente
com palavras e versos milimétricos
e não com vida e emoção,
que tornam-se sementes doutra métrica
nalgum outro rincão...

Diante dos problemas mundanos,
que nos deixam por vezes perplexos e ilhados,
de nada adianta fugir para Fernando de Noronha,
morar na Vila dos Remédios para à vida remediar...

O trem é a melhor metáfora pro amor,
pois exige constantes paradas em estações.
A vida tem suas estações, nós também,
pois sem isso é caminho por demais perverso.
Mais perdas menos versos, decerto,
trens sem dormentes vagando pelo deserto,
de um quebra-cabeças maior
sem peças para se encaixar nas contradições...

Muitas vezes nosso quebra-cabeças interior
não se encaixa com o exterior, pois de repente
podemos não ser a "peça" certa, decerto,
daquele deserto quebra-cabeças de outrem...

E por ai vai, a vida entre trilhos e dormentes,
vagando entre o estético, o poético e o filosófico...
Idealizamos para nós um mundo completo,
que apesar de o vermos como uma imagem única,
é na verdade um imenso quebra-cabeças fragmentado...

E nesse imenso Quebra-Cabeças,
apesar da prepotência de alguns,
não passamos de uma diminuta peça
à espera da mão divina do encaixe...
O que os céticos dizem ser o destino;
os otimistas juram convictos que é amor...

E os dias passam por nós,
como irmãos gêmeos, quase siameses,
por meses e anos que se repetem...
Como as areias do deserto, decerto,
formam as mesmas dunas em locais diferentes...
Até que um dia a peça que faltava
naquele deserto de emoções
se debruça detidamente sobre nós...

Não consigo nem pensar em viver
cada dia como se fosse um gêmeo do outro;
muito menos como se fossem siameses...
Cada dia é um novo dia, um novo viver!
Cada dia é um novo caminho, um novo nascer...

Amor que não doi
é qualquer coisa de qualquer coisa, menos amor...
Assim eu penso, logo existo,
por que o teu amor resiste/reside em mim,
assim como eu resido/resisto em ti...
Poema deserto, decerto, é toda paixão
que jamais se transformará em amor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 11/10/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

06/10/2009

Desejo



Desejos
entrecortados pelo tempo são os sonhos,
assim como o alfaiate que ao recortar um terno,
molda a morta roupa a um vivo corpo.
Desejos
entrecruzados pela vida são os caminhos,
assim como o guia que descobre atalhos,
entre a palma da mão e o coração...

A vida é uma e-terna contradança
de emoções, entrelinhas e contradições.
Penso todos os dias somente no hoje,
nunca, jamais no que se tornará o Amanhã.

Nem sempre sei explicar por palavras o que sinto,
apenas sinto a vida fluir em mim,
como o rio que desce de encontro ao teu mar.
Amar: certeza ao sair, dúvida d'aonde se vai chegar...

Às vezes, tenho frio, fome e medo,
mas tenho em ti depositado
todos os meus sonhos, amores e segredos...

Muitas vezes viajamos no mesmo trem do tempo,
outras vezes, quiçá, noutras vidas, corpos e momentos...
Vagamos por estações, descendo antes da hora,
até o dia que enfim nossos olhares se entrecruzem,
e uma janela abra-se por completo para o amor...

Somos todos sobreviventes,
sobrevivemos ao próprio tempo.
Desejo-te em mim, dia sim, dia também.
Desejo-me em ti, toda hora, todo instante.
Sem palpitação (de paixão/amor)
o coração torna-se burocrata do viver...
Tique-taque de relógio;
finge vida, mas não sabe o que é
de fato o viver...

Se os amigos verdadeiros são
nosso pequeno mapa do tesouro
nessa ilha flutuante no meio do universo,
que chamam de Terra;
O amor verdadeiro é passagem sem volta
para o pequeno paraíso terreno
que existe nalgum recanto da existência...

Desejo-te em mim, desejo-me em ti...
O que é afinal o desejo
além do abraço e do beijo?
O que é o desejo além do próprio desejar?
Talvez seja algo como o amor, além do amar...
Desejo-te mais quando menos te vejo,
quando o amor crava mais fundo em mim
o teu pequeno e afiado percevejo...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 06/10/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando o resultado pro computador.

01/10/2009

Acordes e Despertares


Todo dia ele acordava,
mas o seu despertar carecia
de algo que o fizesse ao ver, enxergar...
O corpo seguia à vida que seguia à vida que seguia...
Mas a alma sempre ficava prostrada,
dia e noite, noite e dia, no mesmo lugar...

Então, o tempo, um senhor velhaco,
em sua eterna prestidigitação,
fez uma pequena magia,
misturando sonho e realidade... Que confusão!
E a felicidade do jovem que sonhava feliz,
passou a ter acordes de sinfonia das quatro estações...

O mundo se transmutou da água pro vinho,
a ave voou além do ninho,
tudo passou a despertar acordes,
tudo passou a acordar o seu despertar...

E o jovem que não tinha nome,
sonhando com a menina dos seus olhos,
passou a acreditar que se ela existia,
ele também deveria existir nalgum lugar,
além de seus sonhos e de sua mocidade...

Tudo parecia perfeito demais,
até que um dia, a menina de seus sonhos,
que também acordada estava, enfim,
um dia, como outro qualquer, despertou...
Na verdade, tudo indicava que
era a menina que sonhava
com um casal que só existia de fato
quando ela estava de olhos bem fechados...
Num céu azul profundo, cor do amor sem fim...

E tudo parecia ser fadado a um sonho sem final,
quando um dia a menina ouviu os acordes
de uma bela canção de amor...
Parece que ela também fazia parte do sonho de alguém,
muito além daquele lugar, nalgum outro local...

Se nem todo acordar é de fato um despertar,
nem todo despertar é de fato uma casualidade,
tudo tem seu tempo, sua idade...
O que é hoje mero sonho, quiçá num futuro distante
possa tornar-se uma doce realidade...
Todo acorde que invade,
provoca, sem alarde, nalgum canto, algum despertar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, feito em 01/10/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastao e digitalizando o resultado pro computador.
Observação 3: Poema inspirado no videoclipe da canção de Moby, Dream About Me, com cenas do filme Efeito Borboleta 2, conforme link abaixo:

Moby - Dream About Me (Butterflyeffect)

29/09/2009

Penélope Sou Eu


Textum, tecido, texto, tecer...
O amor tecido em um tapete infinito,
Com Penélope ao tempo fiar
E a confiar no poder do Amor...
A verdadeira forma de amar
Pode estar amortecida pelo tempo,
Mas um dia, um momento,
Ao Ulisses navegante concederá o despertar...
Tricotar o sonho de dia,
E à noite, a realidade vir desmanchar...
Somente quem ama de fato
Sabe pelo amor verdadeiro esperar...

O Amor tece o verso,
O Tempo amortece o peito;
O Destino tece o vento,
A Vida amortece o leito...
Por isso vivo sonhando acordado,
Fiando meus dias e desfiando minhas noites,
Confiando em meu destino,
Desconfiando que sem o seu Amor
Nada sei sobre o que é o Amar...

O fio da vida, da meada,
Da sorte, da calçada...
O fio da morte, da estrada,
Da esperança, da jornada...
A teia de aranha, ao tempo querendo aprisionar...
O fio da navalha, ao sonho desejando libertar...

Se pra alguém ser feliz é preciso de sufrágio,
Confesso: sou frágil com qualquer tipo de apuração...
Minha nau é também frágil,
mas sobrevive a todos os meus naufrágios,
Quando vem dar à praia, junto ao Farol da Solidão...
Penélope sou eu, às vezes,
À espera do seu mítico Ulisses;
Do grande Amor que nada é sem o imenso aMAR...
Algo que me invade, mas não arrasa;
Que desacomoda, mas não me despeja;
Que me deseja, mas não me devora;
Que arrasa, mas nada destrói;
Algo que arde, mas nunca corrói...
Sou um poeta que (re)vive, igual à Penélope de Ulisses,
Fiando os dias e desfiando as noites,
À espera do entretecer dos sonhos
entre o intenso e terno amor da Amada
e o meu imenso e eterno aMAR...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 29/09/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a ártir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

27/09/2009

Com um cravo na lapela


Essa vida morna, pão com manteiga,
Do amolador de facas, do aparador de grama,
Do jogador de paciência,
Pensando e jogando pedrinhas na água do rio
À espera de - sabe-se lá - um deus-nos-acuda qualquer
Que as boas coisas da vida venham um dia nos mostrar.

Ultraleve é a vida e eu ando meio “down”,
Pois o binômio de Newton nem a guerra-fria dos teus olhos
Sei matematicamente calcular

Batman e Mulher Maravilha vivem numa eterna cama-de-gato
Sem querer um ao outro se entregar.
E, afinal, quem pagará o pato,
quando não mais se souber de que lado
Bate à noite nosso solitário coração?

Toda sexta-feira treze (ou não) era a mesma via crucis.
La Dolce Vita de Fellini não passava de um belo filme.
Toda sexta-feira (Santa?) de agora em diante nem sempre será da paixão...

E o vinho virou água e a água virou sangue,
A enchente dos teus olhos alagou sem querer meu mangue,
O milagre do amor — do trigo fez-se o pão.

Um anjo Gabriel... García... ou Márquez, talvez,
Com um cravo na lapela e seu melhor sorriso de domingo
Espera seu amor aparecer na janela,
Mal sabendo que já começaram os Cem Anos de Solidão.

O pecado mora ao lado, Bela adormecida é a paixão.
Enquanto ela dorme há paz na Terra.
Quando acordar todo anjo perderá por ela a razão...

O soldado e a bailarina, o esgrimista e a contorcionista,
a ascensorista e o pára-quedista...
Bailam perdidos pelo salão sem se olhar.
Uma tempestade num copo d’água
Aproxima-se de nós e estamos tão sós.
Se ela dança na ponta dos pés, sem o chão sequer tocar,
Talvez seja porque sofre de insônia e não quer nos acordar.
Eu sou gato escaldado da noite e pulo de galho em galho
À procura de um atalho, só pra te namorar.

Quem quiser ser feliz que prove o gosto da romã,
Pois, sem lenço e sem documento,
infelizmente já não se conquista mais:
Um reino, um sonho, uma paixão.

Atire a segunda pedra
Antes que o cinema feche, que o sinal de trânsito mude,
que o guarda apite, que a atriz se desnude;
Pois o bandido raptou a mocinha
Quando o herói do filme esqueceu o texto
Com o pretexto de recarregar sua arma (com munição?)
Pena que o admirável mundo novo
Não passe de um “hollywoodiana” ilusão.

Amar, às vezes, é estar sozinho na cova dos leões,
E eu que nem me chamo Daniel,
Sou um entre tantos peões
Neste jogo de xadrez que é a Vida e Morte Severina,
Sentindo uma ponta de lança atravessar inúmeras vezes o coração.

Então, se pra ser feliz, terei que estar pra sempre
Em constante xeque-mate,
Prefiro, quem sabe, brincar de cinema,
Pois, lá tudo é sempre um “faz-de-conta”,
E quem conta um conto, aumenta um ponto, dizem...
Eu já nem sei mais como concluo esta interminável poesia sincera
Se com reticências, ponto final ou de exclamação...
Queria poder dizer que tudo na vida
Tem a exata medida de um sim ou um não!

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 08/07/1990. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minh autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.
Observação 3: Poesia originalmente com o título de "Cem Anos de Solidão", alterado em 26/01/2003, por sugestão do poeta, crítico literário e ativista cultural Joaquim Moncks, durante a 30ª. Feira do Livro no Cassino, Rio Grande – RS; e, posteriormente, readaptada para um concurso literário.