Epifania


Amar é simplesmente amar,
não importa onde, quando,
como nem a quem.

Amar é simplesmente se aventurar
pelos confins da terra, mar e ar,
muito além do além,
seja de barco, avião ou trem.

Amar é simplesmente uma epifania,
como a de conseguir a cidadania
junto ao país enamorado de outrem.

Amar é simplesmente uma fantasia,
eu sei, eu bem sei disso, meu bem,
mas sem ela a vida é uma ilusão,
estrada sem dormente,
muita gente adormecida
à espera de um fantasma,
vindo noutro trem-bala do Japão.

Amar é simplesmente
uma vocação para uns,
uma provocação para outros,
pode parecer um imenso brilhante
ou menos que um mero vintém...

Mas só quem amou poderá avaliar
essa revelação que descortina o céu,
que divide o mar, oásis em pleno deserto
que há em mim, quando vejo a flor solitária
nascer sem querer em meu jardim...

Jardineiro, fevereiro, traço, fuzil,
balaio, punho, embrulho, ao gosto,
eu me lembro, eu descubro, relembro, desmembro
aquela cortina, para tornar-se
teu vestido vermelho de cetim...

Rio Grande, 05/08/2022.

Observação 1: Poema acima de minha autoria, escrito em 05/08/2022 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, a partir de recortes de revistas antigas, usand apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado, usando depois o app Comika para dar efeito de pintura a óleo.

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