Do fundo das minas e do profundo das almas


Só quem um dia amou
poderá dizer que de fato viveu.
A paixão é apenas estágio intermediário
dos que tentam superar a ilusão pelo real.
Não faz mal, se o tempo é pouco
e o espaço distante, dirão os amantes,
assim também é o diamante,
escondido nas profundezas no mundo,
quando não passa de mero carvão!

Do fundo das minas,
do profundo das almas,
dos redemoinhos dos ventos e das águas,
depois das aves, das Marias, vêm as calmas;
eis que no meio do nada, algo reluz,
feito brilho de pepita na noite estrelada:
amor que ilumina a escuridão,
doce paixão espelhada
que ao coração solitário conduz.

O sol seduz a noite,
a lua faz o mesmo com o dia,
embora um ao outro se desencontrem,
como dois namorados separados pelo rio,
antes da construção de uma pequena ponte;
como o sonho que vaga num barquinho de papel,
imaginando o que existirá depois do horizonte:
algum girassol gigante em forma de carrossel.

José Antônio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima de minha autoria, escrito em 04/08/2022 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fotografia de minha autoria, a partir de colagem usando recortes, tesoura e cola bastão e depois digitalizando o resultado para o computador.

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