Seu Nome Era Poesia


Primeiro,
foi preciso
encontrar o olhar
para saber
reconhecer o amar;
depois a voz,
que ficara perdida
no redemoinho
da foz do rio
que desembocava
em pleno mar;
mais adiante,
como (e)terno caminhante,
redescobrir os sons,
para não confundir
o rumor do tambor
com o ribombar
do coração;
por fim,
foi preciso reinventar
todo um idioma,
palavra por palavra,
como quem lavra
a terra deserta,
um tanto quanto incerta,
para plantar e replantar
sonhos e esperanças...
para colher no futuro
um dicionário de emoções.
Olhar pra lua
e chamá-la de Rua,
mirar o sol
e nomeá-lo de Lar.
Naquele mundo estranho
que eu nada mais sabia,
seu nome era Poesia
e isso que me bastava,
tanto quanto o respirar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria escrito em 26/01/2019 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima é fotografia de minha autoria, da praia do Mar Grosso, em São José do Norte, extremo sul do Rio Grande do Sul, Brasil.

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