Círculo encantado


O amor é uma flor
que nasce e cresce
lentamente dentro da gente

Ah, o mar! Ah, o amor...
O círculo encantado da vida
e a bolha do tempo
num só momento
podem se romper
sem aviso prévio,
como a vela
quando consome o pavio;
como o mar
a tragar o navio;
como a onda
a abraçar o pescador;
como o amor
que se encerra sem avisar;
como os livros,
a todo o conhecimento armazenar;
como o revólver carregado
que se recusa a disparar;
como a ilha
que é pequeno oásis
no meio do mar;
como o espelho
que começar a trincar
quando estou a tudo observar;
como a porta
que fica ao tempo arrastar;
como a poeira
que imita sem jeito
o nevar;
como o vaso chinês
que dia a dia,
mês e mês,
singra os séculos
em seu navegar;
como o romance de Proust
que inicia pelo fim
e finaliza pelo iniciar...

Sim, a vida é bem maior
que um livro,
que é bem maior
que qualquer viver...
Sim, o amor é maior
que qualquer mar...

Ah, o amar!
essa memória imensa
intensa máquina de imaginar.
O trágico que me habita,
sem querer, me habilita
e passa a me encantar
por dias e noites
pelo mágico e ilusionista
que está a te (na) morar...

O amor é a grande
máquina do tempo
em que a vida é
apenas o pretexto -
o poeta diria: prototexto -
para se viajar...

O círculo encantado do tempo
e a bolha translúcida da vida,
vira e mexe, vivem a rodopiar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 25/11/2018 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fotografia de minha autoria, do coreto da praça Tamandaré, em Rio Grande Rio Grande do Sul, Brasil.

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