Ser Alado


O ser amado,
ainda que
humano como nós,
torna-se vez em quando
um ser encantado,
um ser quase alado.
Noutras,
rio em busca da foz,
canto à procura da voz.

Ninguém escolhe
a quem amar
ou ser amado,
ninguém decide
voar ou ser alado...

É o amor
que nos escolhe
como ser amado,
ainda que inicialmente
nas asas da paixão
que levitarão
ao seu tempo e espaço
e nos dirão
qual ser por nós
será alado, amado...

Jamais perdemos
o que nunca tivemos,
tampouco ganhamos
o que não merecemos...

O amor
não tem idade,
nem cidade
ou temporalidade...

Todos são capazes
de amar,
todos podem ser
ases da aviação,
todos podem
um dia, quem sabe,
aprender a voar...

Mas o amor
nada tem a ver
com a paixão,
tal qual a poesia
nada tem a ver
com a religião.

Amor verdadeiro, une,
paixão, tarda, mas separa...
O que nos equipara,
corpo e alma,
é aquilo que também
nos desampara,
quando seres alados
ficam pousados,
engaiolados...

Só se é feliz
quando quem nos diz
que o amor pousou
além de nós,
quando é o próprio
sentimento
que nos avisa
a hora de voar,
pousar e repousar...
Aqueles que sabem voar
além das asas
da própria imaginação.

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima de minha autoria, escrito em 23/11/2015 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, encontrada na internet, no endereço abaixo:
https://www.facebook.com/1MillionArtists/?fref=photo
Observação 3: Poesia escrita ao som de When We Were Young (Quando éramos jovens), de Adele, no belo videoclipe abaixo:



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