Espelhos quebrados


Memória
é tudo aquilo que vemos
quando os olhos
estão bem fechados,
quando todos os espelhos
estão quebrados,
quando as máquinas do tempo
e outros utensílios
não puderam ainda
ser inventados.

História
é tudo aquilo que,
fazendo bem as contas,
fazemos tudo de conta:
da fantasia à realidade,
do pontual ao estrutural,
do mágico ao surreal...

Imaginação
é tudo aquilo que inventamos,
antes mesmo de
à máquina dos sonhos
podermos programar,
muito antes de às coordenadas
podermos calcular,
nascendo sem saber
que pais teremos,
que em país viveremos,
que nome utilizaremos,
que amor, enfim,
aprenderemos a amar...

Não importa que os espelhos,
um dia, fiquem todos quebrados,
e que nossos olhos
passem os demais dias -
faça sol ou chuva -,
vidrados
em telas reluzentes;
pois uma vez que
nos forem mostrados
o que é o amor e o amar,
jamais esquecerá disso
nosso perdido olhar:
vitrificado...

O vitral é poesia visual,
como espelho multicolorido
todo quebrado,
mosaico a ser refletido,
e rapidamente colado
pelas mãos de um poeta
de coração florido
e olhar apaixonado.

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 28/11/2015 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fotografia de Big Wright, encontrada na internet, no endereço abaixo:
http://www.hypeness.com.br/2014/04/voce-nunca-poderia-imaginar-que-pores-do-sol-vistos-atraves-de-um-espelho-quebrado-fossem-tao-bonitos/
Observação 3: Poema escrito ao som de Drag The River (Arraste o rio), de Morrissey, video abaixo, com cenas de As Horas (2002), filme de Stephen Daldry:



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