Árvore e ser
Os homens cortam caminhos e árvores,
Podam paixões, cerram esperanças,
Mexem no clima, mudam as estações...
As árvores contam histórias,
Deixam desenhar amores,
Dão abrigo e proteção...
Ah, como tenho pena do lenhador
Que abate sem remorsos árvores
Para com a lenha buscar calor,
Matando dentro de si a vida
E o próprio amor...
Ah, como tenho admiração
Pela árvore que caminha sem andar,
Que nos fala sem ter boca,
Que ama de forma subterrânea,
Quando entrelaça suas raízes
Com outra de sua espécie;
Quando se afunda terra adentro
E nos aprofunda a sensação de beleza
Que só tem quem sabe
À natureza humana contemplar...
As árvores nos veem passar
Desde o arvorecer da humanidade,
Plantadas em suas certezas,
Enraizadas em seus sonhos,
Firmes em seus segredos,
Petrificadas pelo tempo e o vento...
Os homens são perto delas, tão seculares,
Apenas um breve momento a vislumbrar...
Os homens passam pelas árvores,
Plantados em suas dúvidas,
Enraizados em seus pesadelos,
Firmes em seus medos...
Ao novo arvorecer da humanidade,
Quando, enfim, como gente eu crescer,
Quero tão-somente ser árvore,
Árvore ser, com toda a sua riqueza e liberdade,
Com toda a sua virtude e verdade...
José Antonio Klaes Roig
Observação 1: Poema acima de minha autoria, escrito em 27/09/2013 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, encontrada na inetrnet, no endereço abaixo:
http://gmmmz.blogspot.com.br/2011/11/mensagem-aos-alunos-pas-uem2011-domingo.html
Observação 3: Poema escrito ao som de To Build A Home, de Cinematic Orchestra, com participação de Patrick Watson, videoclipe abaixo:

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