A um passo do infinito


A um passo do infinito,
O poeta que me habita ouviu um grito,
Que o fez irremediavelmente acordar...
- Foi tudo apenas um sonho muito bonito!,
Disse-lhe a alma com toda calma do mundo,
Antes dele num segundo e todo aflito,
Desacreditando de seus sentidos,
Tentar inutilmente se beliscar...

O desamor é como sobreviver ao naufrágio,
Mas não ter nenhuma ilha para nadar...
Nem dez vidas tampouco dez amores farão
Do mito do amor eterno a lógica do viver,
Nem mesmo a mais mitológica paixão sobreviver...
É como ser rio, observando a nau frágil,
Rodeando em círculos e mais círculos,
Por não ter um mar para desaguar...

A um passo, um braço e um abraço do infinito,
Ele fechou os olhos por um momento,
Sentindo todo o mundo ao redor,
Para depois - num imenso segundo - despertar,
Quando no abismo interior não mais quis se projetar,
Quando o mar subterrâneo o fez de si mesmo transbordar...

A um passo do infinito, apesar do grito,
Há sempre dois caminhos a seguir:
Fugir de si mesmo e nunca mais se reencontrar,
Ou seguir em frente e aprender de olhos bem abertos,
Na ousadia (e noite), saber ousar e amar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: O poema acima, de minha autoria, escrito em 07/09/2013 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, arte de Octávio Ocampo, encontrada na internet, no endereço abaixo:
https://www.facebook.com/1MillionArtists
Observação 3: Poema escrito sob inspiração do belo videoclipe Don't You Worry Child (Não se preocupe criança) de Swedish House Mafia com participação de Mikael Otto, vide abaixo



Observação 4: Abaixo, link para tradução da referida canção:

Don't You Worry Child - Swedish House Mafia

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