Ardil



Cervo sorve senil
Servo serve servil
Água vida cantil

O cervo sorve a água de forma senil,
O servo serve seu amo de jeito servil,
Tua água viva, encheu de vez meu cantil...
Nunca serviu para mim flor sem jardim...

Ardida, ardil, finito, funil...
Dentro de mim mora um anjo
Que toca banjo para me despertar.
Dentro de mim mora um fauno
Que criou toda uma fauna e flora
Para te contemplar...

Ardida, ardente,
Arde a vida, dói o dente...
Quem foi que disse que para amar
Ou desarmar-se é preciso de algum preparo?

Reparo que a vida poliu nosso escudo e espada,
Ó! Doce amada!
O tempo sela o nosso cavalo alado
E o destino constrói nossa casa
Na beira da estrada,
Ao largo do rio,
Sempre no meio do caminho uma nova morada...

Transito fiel entre
A inesquecível e o inesperado,
O indefinível e o aguardado...
Sonhos reais e realidades sonhadas,
Entre o dom tosco e a emboscada...
O impossível constrói outra possibilidade,
O desejo metamorfoseia-se em verdade...
Em verdade, sem brilho nos olhos
Não se consegue viver tampouco sonhar...
Sem saber se encantar primeiro,
não encantaremos ninguém... Ardil...
E a vida passa de forma resignada por nós,
como a água que já foi rio, vazando pelo funil...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrita em 17/04/2012 e protegida pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem antiga de minha autoria, feita de recortes de revistas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador. E neste caso, pequenos traços de caneta para dar o efeito marionete. :-))

Comentários