Uma bela impossibilidade


Uma bela impossibilidade, a vida,
Pois nascemos da mera casualidade
De duas pessoas numa mesma cidade
Ao se amarem nos darem a partida...

Uma bela impossibilidade, o trabalho,
Que é fruto da diária luta,
Suor do corpo que também é sal, é salário...

Uma bela impossibilidade, o tempo,
Que partido e repartido em frações
Nos faz viver em fusos horários diversos,
Dispersos em fragmentados corações...

Uma bela impossibilidade, o vento,
Que sentimos, porém não vemos,
Mas que existe sim, dentro e fora de nós,
Além de nosso misterioso jardim...

Uma bela impossibilidade, a chuva,
Rio voador que sobre a cidade despenca,
Parede aguada que se contrariada nos arrasa,
Muito além de nossa casa, após a vírgula...

Uma bela impossibilidade, a paixão,
Que chega com a pretensão de ser imortal,
Mas que não resiste à primeira decepção...

Uma bela impossibilidade, o amor,
Que quando cresce dia após dia,
Parece até uma flor tatuada, sobre a pele,
À flor da pele, renascendo a cada amanhecer...

E se for uma flor de lis, sabe-se de antemão,
Bem ao contrário da paixão, que será eterna,
Por conta de seu símbolo, signo e significado,
Pelo seu frescor, ardor, florescer... Revelação...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 22/04/2011 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fotografia de minha autoria, capturada em 19/04/2011, referente a garças pousadas e repousadas sobre o telhado do entreposto do mercado Público de Rio Grande - RS - Brasil.

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