Jogos de espelhos


Se o mar, sem mais nem menos, racha,
E o espelho de aço em nós afunda,
Sei que o amor ora nos abarca e abraça,
Ora nos estilhaça e aprofunda...

Nasci gente, mas sou de fato peixe.
O espelho de vidro dos homens
Não reflete a profundidade das águas
Dormentes em mim. Acordei, enfim.

Somos todos duplos
Na vida e no amor,
Na alegria e na dor,
Diante dos espelhos que nos refletem
Múltiplos ângulos de uma mesma paixão.

A vida é essa duplicidade,
Sombra e luz, dia e noite...
Se o amor nasce e morre todos os dias
Com o sol, além do horizonte,
Podemos ser um para o outro,
Vida ou sorte,
Rio ou ponte...

Quando a chuva, em verso e prosa,
Estendeu seu véu molhado sobre a minha cidade...
O vento, todo enciumado, veio atrás, assobiando sem parar...
A água é o elemento natural do meu corpo;
O céu espelhado, o da minha alma, sempre a voar...

O moço que eu já fui um dia sabia
Que eu usava sempre óculos escuros,
Independente de haver sol ou não.
Era o disfarce perfeito para esconder o reflexo
Da chuva persistente, permanente,
Espelhada em seu/meu olhar.

A Paixão é o amor com prazo de validade pré-determinado.
O Amor é a paixão incondicional, atemporal
Que ao nosso mundo invade, trincando espelhos ao passar.

Quando o Sol chegou vestido de dia
E a Lua se foi despida da noite,
Eu sabia que neste jogo de espelhos sideral
Que nas poças d’água se formara,
A Lua se vestiria de noite estrelada
E o Sol despiria seu manto dourado de dia, ao final...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escirto em 15/03/2011 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, colagem de minha autoria, feita a aprtir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado final para o computador.

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