Início, Meio e Sim


Depois que o furacão passou,
Arrasando tudo ao redor,
A menina solitária remontou tijolo por tijolo
A casa que não havia mais,
Num doloroso quebra-cabeças furta-cor.

A noite vestiu seu melhor traje preto,
Enquanto o dia despido de pudores,
Coberto apenas de flores e amores,
Foi atrás do horizonte se deitar, para chorar...

Todo fim é também um recomeço,
Isso aprendi a cada tropeço,
Dando vez ao Tempo e voz ao Vento...
O que se sente, quando se ama,
Não tem preço, só apreço,
O início apenas rima com precipício,
Mas é o meio que define o não ou o sim...
Há uma larga travessia
Entre o talvez e o fim...

Amor é aquilo que
Toma conta, mas não domina,
E o que disso for o inverso, confesso:
É meio, jamais fim em si mesmo.
A finalidade da vida é viver,
A cada dia como um recomeço,
Sabe bem disso o menino,
Ainda no berço,
Olhando pro móbile suspenso...
A construção do conhecimento
E a reconstrução da vida
São similares em seus processos:
Iniciam suas fundações de baixo pra cima,
E o acabamento sempre vem em sentido oposto.

No rosto da menina,
Eu vi meu futuro impresso,
Em cada tijolo que ela segurava com as mãos trêmulas,
Reerguendo dentro de si
Sua delicada fortaleza...
O amor nunca tem pressa...
Só a paixão que nos faz presa
De uma construção frágil
Que não resiste ao Tempo e ao Vento.
Por um momento, a vida passa diante de nós,
Como num segundo, mas o mundo recomeça de novo,
Em seguida, a cada dia, sua restauração...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 02/03/2011 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fotogragia de minha autoria, capturada em 16/12/2010, de uma caminho que fiz, quando visitei a EEEF Saldanha da Gama, na 4ª secção da Barra do Rio Grande - RS - Brasil, quando fui instalar o programa sala de aula digital no laboratório da escola.

Comentários

Lindo, lindo, lindo.
Cara Carina,
obrigado pelo comentário.
Esse poema foi escrito, como digo: "com a alma na ponta dos dedos". Abrs,