
O Tempo morde e o Vento assopra nosso nome no ar.
O corpo é vida e morte: mata e morre;
A alma sopra vidas e apaga velas ao passar.
Espelho, espelho, teu, disse-me que
O reflexo inverso do autorretratista não é o meu...
Nunca soube, nesse retrato espelhado,
Qual de fato é o positivo e qual o negativo de cada um,
No mesmo vidro retratado. Paradoxo vitral...
O espelho tem sempre dois lados,
Assim como um retrato.
Só não sei de fato,
Qual deles que me retrata melhor
E qual o meu pior ângulo espelhado...
Espelhamo-nos em nossos pais,
Que se espelham nos seus, da mesma forma.
Na mesma forma somos concebidos.
Na mesma água somos revelados, re-nascidos.
Espelho partido, colado, refletido...
Espelhos do que já vimos, vemos e ainda veremos.
O dejavisto: saudade do que ainda não existe;
Presa do outro lado do espelho, espelho de Narciso, insisto.
Olhamos pro espelho e vemos afinal quem?
Dejavisto que o que ainda não existe
Nalgum espelho, espelho meu, já aconteceu...
Jogos de espelhos, olhos espelhados,
Aço, vidro, areia, tudo de dia prensado, de noite pensado.
Dejavisto que o amor é aquilo que
Se ainda não foi visto por nossos olhos,
Já vive dentro de nós incubado,
À espera apenas do reflexo exterior.
O amor é o único espelho natural
Em que nos vemos refletidos
Tal qual somos: presente, passado e futuro...
Seres únicos vagando num mundo tridimensional...
As três dimensões da vida são justamente:
O amor, o amor e o amor...
Quando da primeira vez te vi, na minha morada,
Eu bem que sabia que a vez primeira não era.
Eu já tinha te dejavisto, doutras eras, noutras vidas e vindas.
Dejavisto e revisto que o reflexo da vida tua é vida minha revisitada,
Através do espelho dos teus olhos nos meus...
José Antonio Klaes Roig
Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 06/03/2011 protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, feita anos trás, a partir de recortes de revistas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizan do o resultado para o computador.
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