O Culto Oculto


É chegada a hora de a lua
que no teu peito flutua
se encontrar com o sol
que ao meu peito invade.
Nunca é tarde
para um mesmo sonho sonhar.

Na margem móvel do rio parado,
o culto oculto: a paixão é prisão...
Na margem imóvel do rio em movimento,
oculto o culto: amor é libertação.

Algumas coisas mudam,
outras nunca passam.
Algumas coisas se movem,
outras nunca nos ultrapassam.
O culto oculto, oculto o culto por teu amor.

A Paixão é um culto oculto,
nunca se mostra em sua totalidade,
dentro de nós.
Já o Amor é o oculto culto,
que sobrevive a tudo e a todos,
além de nós.

A flor aflora, o amor amora,
minh'alma à tua namora...
Até no caos há uma curiosa geometria
oculta em ângulos e formas,
em traços e abraços.

É chegada a hora, minha senhora,
Do que está oculto cultuar
E o que é cultuado ocultar...
A Lua, com razão, cultua o Sol
E nunca desnuda seu lado oculto pra nós.
O Sol, pura emoção flamejante,
Cultua a Lua e oculta a chama interior...
O culto oculto e o oculto culto
Estão para a matemática tal qual
O pertence e o não pertence,
O contido e o não está contido...
A vida é bem maior e mais bela
Que o ocultar e até mesmo do que o cultuar.
É preciso sempre saber distinguir
o usar do ousar, o viver do sonhar, o amor do amar...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, escrito em 27/02/2011 e protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, fotografia de minha autoria, captura em 08/12/2010, no interior da Ilha dos Marinheiros, Rio Grande - RS - Brasil, onde tem bem no meio da ilha uma lagoa, chamada do Rei.

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