Tchê Amo


Tchê amo, por que te amo
e nada mais precisa ser dito, além disso...
Para se amar algo ou alguém
há que se querer viver primeiro o amor,
ainda que incompleto, inconcluso, imprevisível,
pois nada é de todo pleno e concreto,
por isso nunca se consegue explicar
o que nos é tão contradito...

Tchê amo, por que te amo,
por que para amar basta o amor em si.
Eu te esperei toda vida
sem nada esperar,
nem saber se você de fato existia
ou se era apenas uma idealização;
coisa de poeta,
que vê em tudo matéria-prima
para sua criação...
Tudo o que fiz assim o fiz
somente para ter da musa a atenção.

Tchê amo, por que te amo,
por que espero muito de ti,
por que eu te esperei muito em mim,
até o dia que, enfim,
nossos caminhos se entrecruzaram
sem nenhuma explicação.

E assim, como a boleadeira
que é lançada ao ar com toda a força,
buscando trançar algo rente ao chão,
meu amor fez voo longo e cego
até cruzar com a tua visão...

Dizem que a noiva do vento é a brisa.
E é essa delicadeza que às vezes se precisa.
Se o vento é o ar em movimento,
lamento dizer aos céticos e pessimistas
que o amor é o amar em circulação.
Quando não se tem amor-próprio
somos incapazes de amar alguém...
O amor não é uma entidade física,
não vemos seus sinais, senão interiores,
e quando esse vento, que iniciou brisa
toma conta de nós, e movimenta tudo ao redor,
ainda que não o vejamos, sabemos de sua existência,
pois ele está presente em cada ação...

Nunca devemos julgar as coisas
por conta do que apenas vemos ao redor...
O que eu de fato sou é o que ninguém enxerga.
Eu sou vento e você brisa,
e ninguém mais precisa saber
de que é feito nosso amor...

Tchê amo por que te amo.
Por que aprendi a fazer com que a tua brisa
acendesse de vez a minha brasa,
mantendo sempre firme e forte
o fogo de chão desse nosso amor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema acima, de minha autoria, feito em 31/10/2009. E protegido pela lei de direitos autorais, podendo ser reproduzido, desde que cite a sua autoris.
Observação 2: Image acima, colagem de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, digitalizando o resultado para o computador.

Comentários

Elis Zampieri disse…
Se o vento é o ar em movimento,
lamento dizer aos céticos e pessimistas
que o amor é o amar em circulação.

Amor, seja de que natureza for, em todos os casos, ha algo de comum. Por que se ama? Porque o outro nos permite amar. Portanto, a lógica do amor é amar.

Mais um lindo poema.
Elis.
Oi, Elis. Realmente, o amor e o vento são forças da natureza, que não podem ser represadas! Aqui no RS, a maior parte do território é plano, o chamado pampa gaúcho... Somente no Norte do estado que há a serra e as elevações...
Aqui o vento passa sempre zunindo, zumbindo, mas não tem causado muitos estragos, pois o pampa deixa que ele corra livremente...
Teu comentário me proporcionou essas associações que quem sabe deem a esse poema uma continuação.
Papo de poet'amigo é sempre assim, um inspira o outro em seus comentário. Brigadão, Elis, pela visita e elogio. Vindo de uma poeta como você é sempre um incentivo a mais. Um abração!