Poema deserto



Poema deserto de você, decerto,
é um mundo deserto de meu amor...
Poema deserto é aquele que
não traz nas próprias entrelinhas
algo que fale do teu amor...

Um deserto, decerto,
é um poema preenchido somente
com palavras e versos milimétricos
e não com vida e emoção,
que tornam-se sementes doutra métrica
nalgum outro rincão...

Diante dos problemas mundanos,
que nos deixam por vezes perplexos e ilhados,
de nada adianta fugir para Fernando de Noronha,
morar na Vila dos Remédios para à vida remediar...

O trem é a melhor metáfora pro amor,
pois exige constantes paradas em estações.
A vida tem suas estações, nós também,
pois sem isso é caminho por demais perverso.
Mais perdas menos versos, decerto,
trens sem dormentes vagando pelo deserto,
de um quebra-cabeças maior
sem peças para se encaixar nas contradições...

Muitas vezes nosso quebra-cabeças interior
não se encaixa com o exterior, pois de repente
podemos não ser a "peça" certa, decerto,
daquele deserto quebra-cabeças de outrem...

E por ai vai, a vida entre trilhos e dormentes,
vagando entre o estético, o poético e o filosófico...
Idealizamos para nós um mundo completo,
que apesar de o vermos como uma imagem única,
é na verdade um imenso quebra-cabeças fragmentado...

E nesse imenso Quebra-Cabeças,
apesar da prepotência de alguns,
não passamos de uma diminuta peça
à espera da mão divina do encaixe...
O que os céticos dizem ser o destino;
os otimistas juram convictos que é amor...

E os dias passam por nós,
como irmãos gêmeos, quase siameses,
por meses e anos que se repetem...
Como as areias do deserto, decerto,
formam as mesmas dunas em locais diferentes...
Até que um dia a peça que faltava
naquele deserto de emoções
se debruça detidamente sobre nós...

Não consigo nem pensar em viver
cada dia como se fosse um gêmeo do outro;
muito menos como se fossem siameses...
Cada dia é um novo dia, um novo viver!
Cada dia é um novo caminho, um novo nascer...

Amor que não doi
é qualquer coisa de qualquer coisa, menos amor...
Assim eu penso, logo existo,
por que o teu amor resiste/reside em mim,
assim como eu resido/resisto em ti...
Poema deserto, decerto, é toda paixão
que jamais se transformará em amor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poema de minha autoria, escrito em 11/10/2009. Protegido pela lei de direitos autorais.
Observação 2: Imagem acima, de minha autoria, feita a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão e digitalizando o resultado para o computador.

Comentários

Leandro Kerr disse…
"Poema deserto, decerto, é toda paixão
que jamais se transformará em amor..."

Lindo! Lindo! Lindo!

Quando eu crescer, quero escrever igual! ;D

Parabéns!
Oi, Le. Brigadão pela visita e coment. Que bom que gostou do poema! è um de meus preferidos tb. Um abração!