Estilete


Um anjo de guarda-chuva na rua
Sob a chuva da rua um anjo dá guarda
O guarda não vê na rua o anjo da chuva e sua flauta mágica...
O tempo passa pela janela em doida disparada

E os olhos da noite estrelada lá fora
Cavalgam ligeiros sobre dois corpos nus enluarados,
Certos de que estão a sós no mundo dos loucos
Com a serpente da dúvida na mão direita enluvada

Visões estilhaçadas de tempos futuros dentro do peito
Os escuros e longos dias de vidas fragmentadas
No caleidoscópio mágico da juventude informatizada
Um anjo triste passa por nós, comendo uma maçã caramelada...

No inverno, um frio percorre a espinha
Daqueles que dormem sobre as escadarias da igreja matriz,
Enrolados em jornais velhos, com as mesmas velhas notícias
De meninos de rua baleados à queima-roupa,
Enquanto dormiam ao relento numa noite de Natal.
A justiça é cega, a vizinhança é surda e muda;
Se o futuro é um trem descarrilado, vindo na contramão,
O presente é quase um estilete cego sobre as folhas de um jornal...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poesia feita em 07/08/1989, protegida pela lei de direitos autorais. Sua reprodução é proibida sem a autorização prévia do autor.
Observação 2: A imagem acima, fragmento de colagem de minha autoria, de cerca de 10 anos atrás, feita a partir de recortes de revistas, usando tesoura a cola bastão e escaneando o resultado para o microcomputador.
Observação 3: Poema (um de meus preferidos) feito há quase 21 anos atrás, e infelizmente nada datado... Foi o primeiro de uma nova fase, quando estava quase concluindo o bacharelado em Direito. De lá pra cá, quanta coisa mudou!!! Quanta coisa permanece igual!!! Continuamos a navegar entre o universal e o particular.

Comentários

Elis Zampieri disse…
Enquanto isso a vida segue procurando por palavras de um futuro bom.

Muito bom Zé.
Bjos.