Até aonde o braço do cavaleiro alcança?Até aonde a lança rasga o espaço?
Em que terras do sem fim, o olhar estrangeiro avança?
Até aonde a inocência e a esperança convivem em paz?
O Livro do Destino traz em si um código secreto
Em forma de enigmático poema...
Em um Reino de Estranhos, dividido em feudos,
Há um tesouro ainda por ser descoberto, decifrado...
Da terra vem o fogo; no calor, a água se dilui no ar...
Bendita sois vós entre as mulheres de preto;
Benditos sóis e vozes de dentro do bosque da existência...
Desancorado de Deus está o homem sem fé,
Vivendo no tempo futuro desses versos e versões...
No sono profundo, mergulhar;
No mar profundo, nadar, sonhar.
Quem eu sou? Quem eu penso ser?
Eu sou o que eu penso ser? Será que de fato serei?
Se sei que existo, quem afinal eu sou?
Entre o ser, verbo, e o ser, pessoa,
Há fronteiras interiores e exteriores
Uma a uma ainda por serem demarcadas...
Sob a linha d’água há uma misteriosa serpente,
Sobre a linha de fronteira, entre o real e o imaginário,
Nem tudo é (de todo) cristalino, transparente.
É no fio tênue da teia de aranha,
Entrecruzando o tempo e o espaço,
Que convivem o sono, o sonho e a eterna vigília.
No sono fecundo, sonhar. Na fé profunda, mergulhar...
No espelho das águas antever o tempo e não mais se enxergar.
Ar, ar, ar, voltar à tona. Do sono profundo, regressar
E pela desconhecida dama do lago, enfim, se encantar...
A ilha inexistente, no fim do mundo, é um estranho local,
Que carrega em si o segredo incerto do despertar...
No Livro do Destino uma vida está escrita no verso do tecido.
Quem ler o próprio futuro...
Se for velho de imediato perecerá,
Se for jovem não mais envelhecerá...
Nele, cada um tem seu nome inscrito em uma página.
E o destino lírico ou perverso depende de cada leitor...
O segredo do tempo só será divulgado aos estrangeiros,
Pelo estranho e fiel depositário da dor,
Tão-somente quando esse estiver passageiro do amor...
No Livro do Destino, como em uma bola de cristal,
Pode-se antever toda a magia do tempo, sempre a rodopiar
Sobre o vento que se enamora da flor...
Canteiro imenso em que o soldado vive a pisar...
José Antonio Klaes Roig
Observação 1: Poesia escrita em 11/08/2008, e protegida pela lei de direitos autorais, sua reprodução é proibida sem a autorização prévia do autor.
Observação 2: Poema feito especialmente para meu outro blog, de escrita colaborativa com alguns alunos da graduação e pós-graduação em Letras (FURG), chamado RPG - Role Poetic Games ou Jogos Poéticos Virtuais.
Observação 3: A imagem acima, colagem de minha autoria (feita há mais de 10 anos atrás), a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando para o microcomputador o resultado final.
Comentários
Abraço,
Ana.
(Visse ontem o Mistério Farroupilha na RBS? Tecerei comentários via msn depois =D)
Sorry X)
Sério amigo, essa sua capacidade de fazer poesia e essas montagens são a materialização da sensibilidade. Pensei em escrever "fantástico!" Mas a sua imaginação é muito fértil! :-)Então...maravilhoso!!!
Abração!