Há um ritmo misterioso na natureza humana,
Seja vivendo numa cabana ou num palacete,
Quando se está entre os números um e sete,
Entre o primeiro e o último dia da semana, do mês, do ano,
E um brilho explosivo de foguete atravessa nosso olhar...
Há um estranho e secreto logaritmo para calcular
Tudo que faz sentido nessa e noutra vida,
Quando se está irremediavelmente perdido
Entre os trópicos de Capricórnio e Câncer,
Entre as nuvens de Magalhães e o estreito de Gibraltar...
Algoritmo, logaritmo, biorritmo e tudo mais
Que marcapasso, marca ponto, marca saudade
De quem sequer ainda se conhece
Ou que se está toda a vida a esperar...
Há certa poesia concreta na matemática moderna,
Bailando entre os números, equações e fórmulas mágicas...
Há certa exatidão na formulação das palavras,
Com sua métrica, ritmo, normas e formas
De, ao mundo do Era uma vez, dar vida, narrar, calcular...
O Verbo desfia o novelo da imaginação,
Enquanto o pensamento vaga insone pelo labirinto da recordação.
Nós atravessamos de fato ao tempo como um feto?
Ou será que é Ele (O Tempo) que nos perpassa com sua razão?
Contratempos mudam o rumo dos rios;
Contra o tempo não há como represar
Com paus, pedras, sacos de areia à emoção...
Tempo contrário; contraditório...
Como soldados de chumbo, os ponteiros batem continência
Às horas em ponto! E no ponto futuro o que será de mim
Quando não existir mais nada em mim,
Além do toque de recolher do coração?
A palavra se desdobra no vento
Entre a língua e a linguagem, entre o lábio e a mensagem,
Num ritmo alucinante próprio e intraduzível...
Amor-ritmo é como a seqüência de notas musicais
Da canção de um acorde único e de uma nota só...
Acorde, então, enquanto há tempo, para distinguir
Entre o uso comum da palavra e o da metáfora,
Entre o viver e o existir, entre o usar e o vestir a nua/tua emoção...
Se nem toda vida pressupõe uma existência de fato,
Nem toda coincidência (é fato!) pressupõe uma consciência...
Se nem todo copista torna-se um bom artista,
Nem todo amante transformará algoritmo n’algo diferencial...
José Antonio Klaes Roig
Observação 1: Poesia escrita em 24/09/2008, e protegida pela lei de direitos autorais, sua reprodução é proibida sem a autorização prévia do autor.
Observação 2: A imagem acima, fragmento de uma colagem de minha autoria (feita há quase 10 anos atrás), a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e digitalizando para o microcomputador o resultado final.
Comentários
Relações são sempre enigmáticas, verdadeiras equações, onde o grande aprendizado está em desvendar seus códigos e descobrir suas fórmulas.
Profundo, tocante e verdadeiro.
Abraços amigo.
Abraço, Zé!