Pequenas margens


A vida nos prega inúmeras peças:
Passamos por lugares estranhos
Que nesta existência nunca estivemos;
Reconhecemos pessoas na rua
Que jamais vimos antes...
Enfim, fingimos que a nossa vida
É um pequeno livro aberto...
Cheio de folhas rasgadas pelo caminho,
Parecidas com as folhas das árvores que tombam
Na escrita outonal dos dias sem volta...

Vez por outra,
Sinto como se fosse uma personagem
Desses livros poeirentos
Que ao serem lidos e relidos, renascem,
E remetem o passageiro àquela sensação
De já ter vivido tudo aquilo antes,
Ainda que no reino imaginário e fantasioso de alguém
Ou no próprio país idealizado dos sonhos...

Todos nós, independente do credo e da cruz,
Temos um Velho e um Novo Testamento genealógico.
E ainda que pensemos, não estamos jamais a sós...
Mas não somos nós O Escritor do texto incompleto,
Criador de um mundo imaginário e bissexto
Para que em suas margens, linhas e páginas
Possamos viver aprisionados sem nunca saber o final...

A cada página virada, a cada dia passado em branco,
A cada sonho vivido 3x4 e a cada vida sonhada, tamanho A4,
Tenham a certeza de que as palavras (mágicas ou não),
Com certeza, não dão conta dos sentidos e sentimentos...
Que o Passado é logo o dia anterior,
Em dormimos noutro mundo
E acordamos em nós mesmos,
Para depois pelo resto da vida
Sermos levados a confundir
Quem somos, para onde vamos, de onde viemos...
Realidade com ficção, verdade com idealização.
Não! Viver não é ilusão!
Ilusório apenas é acreditar
Que a vida não possui autor, enredo e leitor...

José Antonio Klaes Roig

Observação 1: Poesia escrita em 25/01/2008, e protegida pela lei de direitos autorais, sua reprodução é proibida sem a autorização prévia do autor.
Observação 2: A imagem acima, colagem de minha autoria (feita a cerca de 08 anos atrás), a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e escaneando para o microcomputador o resultado final.

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