
I
Ondas que vêm e vão
Irão castelos de areia
1 x 1 aniquilar.
Amadurecer em si
A fruta paz nas alturas
Que ao mundo terra irá despencar.
Ser feliz
É atropelar 3 x 4 os sonhos
Com a fome dos ventos
Aos cabelos e aos exércitos
2 x 1 desalinhar.
II
Cobrir o corpo
Com a luz do Sol,
Vagar pelas praias desertas
Com a certeza profana
Que das águas a Mãe-Terra
Virá nos abraçar.
No balanço das ondas
Deixei-me acalentar
Pela esperança, bolha de sabão,
De meus desejos gaivotas a voar.
O menino pescador
Passa por mim a assobiar
Uma canção de além-mar.
Além de tudo, além da vida,
De tudo que chamam brisa...
Teu nome é como chuva fina,
Paredão d’água caindo no mar.
III
Olho pro céu
E vejo nas nuvens cinzentas
Anjos de chuteiras,
Passando entre pernas e asas,
Bolas de cristal
Ao futuro de poucos desvendar.
O anjo negro do futebol
Dá dribles de ventos
Por entre nuvens de algodão.
“Mata no peito” uma bolha de sabão
E parte adiante, feito uma flecha
Rumo ao goooooooool...
Anjo de pernas tortas,
Deixa pelo caminho
Três endiabrados diabinhos caídos,
Chutando no canto do arco-íris
A bola de gude azul
Que um menino jogou pro céu
E agora espera lá embaixo surpreso
Ela não mais voltar...
Seu pai, velho pescador,
Ainda espera também em cada barco
Que passa ao largo
Pela mãe sereia retornar.
Assim como as ondas do mar,
Vêm e vão, dona Esperança
- a última que morre! -, partiu sem aviso
Pra não mais voltar...
José Antonio Klaes Roig
Observação 1: Poesia escrita em 13/01/1997, integrante do livro inédito À Queima-Roupa (2003); protegida pela lei de direitos autorais, sua reprodução é proibida sem a autorização prévia do autor.
Observação 2: A imagem acima, colagem de minha autoria (de uns 08 anos atrás), a partir de recortes de revistas antigas, usando apenas tesoura e cola bastão, e escaneando para o microcomputador o resultado final.
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