A Casa Interior


Um anjo sonha acordado
Enquanto um menino acorda sonhado,
Com a visão de um algoritmo interior...
Um quer voltar pro interior da casa desabada,
O outro à casa interior se põe em sonho a restaurar...

No tempo que o homem da cor do Dia
Apaixonou-se pela mulher da cor da Noite
O mar se pôs a chover sem parar e
O céu começou a chorar sem explicação...
Se a lágrima autocontém a chuva
E a uva ao vinho; o moinho contém o vento
E o momento à pequena eternidade...
Se a cidade replica o mundo
No fundo todas as palavras
Não dão conta de todas as imagens.
O escritor advoga a verdade das cidades,
O advogado defende às vezes a ficção dos impostores...
A verdade verdadeira é um filme noir
Que jamais no Cinema Mudo se projetou...

Não se pode seguir em linha reta, de olhos vendados,
Nem sempre os atalhos são o menor e melhor caminho...
Se a gente antecipa demais às situações,
Chegamos cedo demais à Estação Primeira
Sem mala nem bagagem interior...

A metáfora da vida - a casa desabando -
Do mundo ruindo, do tempo fugindo,
Da inocência pedindo passagem
Por debaixo da catraca ao cobrador.
Toda separação é quase implosão
Para reconstruir a vida, a cada novo dia,
Junto à casa interior que desaba sem explicação.

Jamais se deve voltar em vida
À casa da infância perdida
Que jaz abandonada e estaqueada pela dor;
Melhor deixá-la vivendo feliz e mobiliada,
Casada com a memória que funda o dia
Junto ao Sonho que fecunda o amanhã...



Observação 1: Poesia escrita em 17/08/2007.
Observação 2: Imagem acima, colegam de minha autoria.

Comentários

Anônimo disse…
Oi, criei um blog hoje e to visitando os futuros amigos.
Seu blog é mto legal!!!!
Um abraço