As Pombas do Parque Central


Eles moram
Em caixas de sapato
Forradas com papelão
E por ironia do destino
Vivem alguns deles
De pés descalços pelo chão

Eles moram
Em caixas de fósforos
Em cantos escuros
E por incrível que pareça
Não têm sequer uma vela
Para iluminar o próprio futuro

Eles moram
Em casas de joão-de-barro,
Sobre os morros da cidade
E por mais que rezem
Nunca deixam de ser joão-ninguém
Nem encontram o caminho da felicidade pra voar

Enquanto eles sonham com uma esperança
Alada que sua vida marque,
Outros voam de primeira classe
A New York, New York
Dar milho as pombas do Central Park


Observação 1: Poesia escrita no longínquo, 22/12/1990, e ainda tremendamente atual.
Observação 2: Imagem acima, uma colagem de minha autoria, intitulada O Tempo Voa, feita a partir de velhas revistas.

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