
Nada é o que primeiro parece,
O dia não morre quando anoitece.
Tampouco o amor acaba quando a paixão fenece.
Vagamos por vestígios do que já fomos,
Calçando pegadas que nunca demos...
Nem sempre achamos o par perfeito
Para moldar-se à nossa solidão...
Somos algo novo a cada dia –
E o tempo nunca nos faz os mesmos...
Somos suscetíveis ao pó, ao vento, à chuva,
A dor, à inveja, às inúmeras doenças
Externas e internas – que assim o seja -;
Podemos estar morrendo por dentro
E cheios de vida exterior
Ou o inverso do verso – em seu avesso –
Mortos na casca, vivos no interior...
Do casulo a lagarta nasce e morrerá
Como borboleta brevemente sem saber...
Impossível viver sem sonhar,
Mas há possibilidade de sonhar sem viver...
O labirinto da vida
E o fio condutor do tempo
Levam-nos por caminhos desconhecidos
Que nem sempre são os nossos.
Então, seguimos os vestígios de outros
Ou do que fomos um dia –
E que deixamos um dia morrer –,
Pisando as pegadas, marcas afundadas
Na areia movediça do pensamento,
Crendo que seguimos um gigante (adormecido?)
Quando apenas repisamos
Nossos passos continuados
Em círculos e mais círculos trêmulos.
Eu ainda lembro do corredor imenso
De minha infância na casa por desabar
Na rua principal da pequena cidade onde vim morar,
Quando meu pai ficara cego de um olho
E do outro passara ao mundo todo enxergar...
Lá no alçapão da casa alugada
Minha avó materna dizia morar uma bruxa
E o menino que eu fui um dia
Corria da sala pra cozinha com medo quase a voar...
Naquela casa, aos cinco anos de idade,
Vi um dia a parede da sala balançar.
Não era sonho, estava eu bem acordado,
Tivemos que fugir dali pra nunca mais voltar...
Daquele tempo em diante, em muitas casas morei,
E poucas moraram em mim...
Quando ouço alguém reclamar da vida
Sinto minha mão ser puxada pelo menino
De minha infância perdida,
Querendo comigo paciência jogar...
Há que se ter muita paciência
Com quem desconhece os mistérios da vida,
Com quem pensa que o mundo gira em torno do umbigo...
Que jamais viu o seu pequeno mundo rachar.
Nunca me esquecerei de que na fenda da parede
Tinha uma passagem secreta pr’algum lugar...
Hoje sou o que quis ser naquele dia...
Não o que a bruxa do alçapão quis aprisionar...
Ainda que tentemos ao passado restaurar
Nunca voltaremos ao início de tudo,
Tudo será pra todo sempre
Uma reconstituição e nada mais...
Na teia da memória, uma aranha imensa
Tece sua colcha de retalhos com nossos sonhos,
Passa o tempo todo, com a nossa ilusão, tricotar...
Observação: Colagem de minha autoria.
O dia não morre quando anoitece.
Tampouco o amor acaba quando a paixão fenece.
Vagamos por vestígios do que já fomos,
Calçando pegadas que nunca demos...
Nem sempre achamos o par perfeito
Para moldar-se à nossa solidão...
Somos algo novo a cada dia –
E o tempo nunca nos faz os mesmos...
Somos suscetíveis ao pó, ao vento, à chuva,
A dor, à inveja, às inúmeras doenças
Externas e internas – que assim o seja -;
Podemos estar morrendo por dentro
E cheios de vida exterior
Ou o inverso do verso – em seu avesso –
Mortos na casca, vivos no interior...
Do casulo a lagarta nasce e morrerá
Como borboleta brevemente sem saber...
Impossível viver sem sonhar,
Mas há possibilidade de sonhar sem viver...
O labirinto da vida
E o fio condutor do tempo
Levam-nos por caminhos desconhecidos
Que nem sempre são os nossos.
Então, seguimos os vestígios de outros
Ou do que fomos um dia –
E que deixamos um dia morrer –,
Pisando as pegadas, marcas afundadas
Na areia movediça do pensamento,
Crendo que seguimos um gigante (adormecido?)
Quando apenas repisamos
Nossos passos continuados
Em círculos e mais círculos trêmulos.
Eu ainda lembro do corredor imenso
De minha infância na casa por desabar
Na rua principal da pequena cidade onde vim morar,
Quando meu pai ficara cego de um olho
E do outro passara ao mundo todo enxergar...
Lá no alçapão da casa alugada
Minha avó materna dizia morar uma bruxa
E o menino que eu fui um dia
Corria da sala pra cozinha com medo quase a voar...
Naquela casa, aos cinco anos de idade,
Vi um dia a parede da sala balançar.
Não era sonho, estava eu bem acordado,
Tivemos que fugir dali pra nunca mais voltar...
Daquele tempo em diante, em muitas casas morei,
E poucas moraram em mim...
Quando ouço alguém reclamar da vida
Sinto minha mão ser puxada pelo menino
De minha infância perdida,
Querendo comigo paciência jogar...
Há que se ter muita paciência
Com quem desconhece os mistérios da vida,
Com quem pensa que o mundo gira em torno do umbigo...
Que jamais viu o seu pequeno mundo rachar.
Nunca me esquecerei de que na fenda da parede
Tinha uma passagem secreta pr’algum lugar...
Hoje sou o que quis ser naquele dia...
Não o que a bruxa do alçapão quis aprisionar...
Ainda que tentemos ao passado restaurar
Nunca voltaremos ao início de tudo,
Tudo será pra todo sempre
Uma reconstituição e nada mais...
Na teia da memória, uma aranha imensa
Tece sua colcha de retalhos com nossos sonhos,
Passa o tempo todo, com a nossa ilusão, tricotar...
Observação: Colagem de minha autoria.
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