
Eu era jovem, você me pediu um beijo,
Mas o percevejo na cadeira me fez acordar...
A mais linda menina da cidade,
Na mais doce mocidade, quis um dia me namorar.
Ah, como é bom amar e ser amado,
Despertar e ser despertado,
Além da hora no relógio da sala a bailar.
Vivo entre o espelho e a janela
Tenho sono leve, sonho breve,
E a mulher amada a me acompanhar.
Se “a vida é mesmo uma metáfora”,
Tento esquecer o quão breve pode ser
A própria vida à espera de uma explicação.
Entre a verdade e a verossimilhança,
Séculos de desigualdades a nos vislumbrar.
Dentro do olho de Deus
Mora um menino, igualmente Deus
E ao mesmo tempo criança,
Que desconhece ser Divino
Por ser apenas um menino... Que dança
Toda vez que o mundo se põe a girar.
As crianças e seus pais vivem
Aprisionados em trópicos distantes
Com medo de se encontrar;
O que está dentro tem medo
Do que está fora do círculo do polar...
Se o céu é o mar de alguém
O mar pode ser o céu de outro além...
Meu pai é Sol, minha mãe é Lua,
Meu irmão mais próximo, Mercúrio;
Vênus, a irmã mais bela,
E Marte, o primo distante, a viajar.
O mundo é bem maior
Do que: o falso e o verdadeiro,
O céu e o inferno, o verão e o inverno
E tudo o que ainda não sei desenhar.
A volta do parafuso, mais que um livro,
É um caminho sem volta
Toda vez que marcamos um espaço
E não retornamos para ao tesouro da juventude desenterrar.
Preocupamo-nos com a invenção do problema,
Muito mais do que com a própria solução...
O mundo como eu vejo, com certeza,
Não é do mesmo jeito que o mundo que me vê...
Então, quero mergulhar no céu, voar no mar.
Se eu não te encontrasse ainda nesta vida,
Nosso futuro seria nalgum outro lugar...
De que me adianta saber de
Mundos distantes num universo infinito,
Se o tempo que tenho é tão breve
Para nesta vastidão poder te acompanhar?
A memória é como um cemitério abandonado
Em que as dunas vêm e vão, de vez em quando,
Sempre descobrindo e soterrando as recordações.
Sei que a cada partida, parte de mim vai,
Outra fica, e nunca volto a ter o mesmo olhar...
Como posso pensar que Deus não existe,
Se eu existo, só por que Ele acredita em mim?
Na verdade, somos todos operários
Num imenso canteiro de obras – um formigueiro -,
Em que um deus menino, desconhecendo ser Divino,
Espreme-nos, com o Seu dedo enorme da fatalidade...
Quem sabe, nosso Deus, seja apenas um gigante menino
Que também tenha um Deus maior dentro de si...
Na solidão do deus-dará, há no céu um olho
Imenso e brilhante como um Sol a nos observar...
José Antonio Klaes Roig
Observação: Colagem de minha autoria.
Mas o percevejo na cadeira me fez acordar...
A mais linda menina da cidade,
Na mais doce mocidade, quis um dia me namorar.
Ah, como é bom amar e ser amado,
Despertar e ser despertado,
Além da hora no relógio da sala a bailar.
Vivo entre o espelho e a janela
Tenho sono leve, sonho breve,
E a mulher amada a me acompanhar.
Se “a vida é mesmo uma metáfora”,
Tento esquecer o quão breve pode ser
A própria vida à espera de uma explicação.
Entre a verdade e a verossimilhança,
Séculos de desigualdades a nos vislumbrar.
Dentro do olho de Deus
Mora um menino, igualmente Deus
E ao mesmo tempo criança,
Que desconhece ser Divino
Por ser apenas um menino... Que dança
Toda vez que o mundo se põe a girar.
As crianças e seus pais vivem
Aprisionados em trópicos distantes
Com medo de se encontrar;
O que está dentro tem medo
Do que está fora do círculo do polar...
Se o céu é o mar de alguém
O mar pode ser o céu de outro além...
Meu pai é Sol, minha mãe é Lua,
Meu irmão mais próximo, Mercúrio;
Vênus, a irmã mais bela,
E Marte, o primo distante, a viajar.
O mundo é bem maior
Do que: o falso e o verdadeiro,
O céu e o inferno, o verão e o inverno
E tudo o que ainda não sei desenhar.
A volta do parafuso, mais que um livro,
É um caminho sem volta
Toda vez que marcamos um espaço
E não retornamos para ao tesouro da juventude desenterrar.
Preocupamo-nos com a invenção do problema,
Muito mais do que com a própria solução...
O mundo como eu vejo, com certeza,
Não é do mesmo jeito que o mundo que me vê...
Então, quero mergulhar no céu, voar no mar.
Se eu não te encontrasse ainda nesta vida,
Nosso futuro seria nalgum outro lugar...
De que me adianta saber de
Mundos distantes num universo infinito,
Se o tempo que tenho é tão breve
Para nesta vastidão poder te acompanhar?
A memória é como um cemitério abandonado
Em que as dunas vêm e vão, de vez em quando,
Sempre descobrindo e soterrando as recordações.
Sei que a cada partida, parte de mim vai,
Outra fica, e nunca volto a ter o mesmo olhar...
Como posso pensar que Deus não existe,
Se eu existo, só por que Ele acredita em mim?
Na verdade, somos todos operários
Num imenso canteiro de obras – um formigueiro -,
Em que um deus menino, desconhecendo ser Divino,
Espreme-nos, com o Seu dedo enorme da fatalidade...
Quem sabe, nosso Deus, seja apenas um gigante menino
Que também tenha um Deus maior dentro de si...
Na solidão do deus-dará, há no céu um olho
Imenso e brilhante como um Sol a nos observar...
José Antonio Klaes Roig
Observação: Colagem de minha autoria.
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