
Estilhaçada vida,
Memória desordenada,
Perigosa ratoeira
Para o vôo da alma penada.
O rebanho dos dias que passam,
Pastam, ruminando histórias sem final feliz...
O tempo passa, pasta,
Ringindo os dentes,
Rangendo as portas,
Cerrando as janelas
Por onde desfilou a mocidade...
Que padre Miguel abençoou...
Memória desordenada,
Perigosa ratoeira
Para o vôo da alma penada.
O rebanho dos dias que passam,
Pastam, ruminando histórias sem final feliz...
O tempo passa, pasta,
Ringindo os dentes,
Rangendo as portas,
Cerrando as janelas
Por onde desfilou a mocidade...
Que padre Miguel abençoou...
O tempo lá fora
Nos espreita como uma ratoeira,
Imensa - de mil dentes -
Em sua forma mais traiçoeira...
A esteira das noites segue sua jornada...
Derrubem as cercas,
Reescrevam os caminhos,
Enquanto há tempo...
"Mas não se iludam",
Se hoje o sinal está verde,
Poderá amanhã estar vermelho vivo.
Mutilaram meus segredos no espelho,
Abriram picadas em meus medos,
Mesmo assim eu segui em frente.
Das flores, quero ser o canteiro;
Do muro, o pedreiro;
Das plumas, o travesseiro;
Da chama, o braseiro...
Das águas de março ao rio de janeiro,
A chuva que cai sobre um tamborim,
Em mim, toca o som de um pandeiro.
A cuíca gemeu, o bumbo padeceu.
O que é meu é teu,
Meu coração, um despovoado Maracanã.
Nosso amor para mim será eterno divã
Enquanto eu for você e você eu
E o nosso amor refletido no espelho
For doce como a romã.
Obs.1: Poesia inspirada em texto de Lya Luft.
Obs.2: Colagem de minha autoria.
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