Linha, agulha e tesoura


O vento, a noite, a rua.
Tesourinha ainda joga futebol
Recortando dribles nas crateras da Lua.
O campo dos sonhos
E as estradas esburacadas do pensamento,
Um quadro surrealista e único
Na retina a emoldurar.
Amor verdadeiro pra durar
Precisa muito mais
Que sonhos, sentidos, carretel e botões.
Pra um grande amor querer pescar
É preciso muito mais
Que linha, rede, isca e anzol...
Pedaço de mau caminho,
Minha boca colada em teu ouvido
Quer um poema maldito sussurrar.
Um poeta enlouquecido
Quer o canto das sereias recitar
Em beiras de cais
(de um passado que não volta mais...)
Pra depois na linha do horizonte
Um novo amor costurar.
As caravelas perdidas no tempo
(agulhas de bússolas endoidecidas pelo vento)
nas doces calmarias de noites sem luar.
Um continente desconhecido
(um grande amor perdido)
vim descobrir no canto do teu mirar.


Obs.: Colagem de minha autoria, a partir de recortes de revistas usadas.

Comentários