Anilha



Quero no verão despir um a um teus desejos
E no inverno sobre o tapete de urso na sala
Envolver-te com flores, bombons e beijos...
Enquanto os lenhadores lá fora
Derrubam pinheiros e sonhos
Para enfeitar a solidão.

Quero fazer meu sol cobrir tua lua,
Sair completamente nu pela rua,
Embriagando-me lentamente de saudade
Com aquele vinho tinto num copo de requeijão.

Quero tomar banho de sol e de chuva,
Deixar desaguar sob o chuveiro meu amor;
Fazer-te muitas filhas,
Navegar por inúmeras ilhas,
Fazendo-te lembrar no gozo
Um lobo selvagem e sua matilha.

Amor vulcânico, messiânico,
Ouvido por milhas e milhas.
Barco à deriva por entre icebergs
Quebrando quilhas e quilhas.
Ah, esse calor infernal no peito.
Afundar no mar gelado, que maravilha!
Do amor quero mais que um anzol,
Do pássaro perdido, és minha anilha.

José Antonio Klaes Roig

Obs.: Colagem de minha autoria.

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