Existe um mundo adormecido
Entre a Realidade e a Ilusão,
Onde a mãe cósmica embala o sonho
Em seu semicírculo lunar.
Um mundo esmagado com os pés,
Entre a Verdade e a Ficção,
Onde as crianças abandonadas
Vivem sempre a chorar...
Entre a Realidade e a Ilusão,
Onde a mãe cósmica embala o sonho
Em seu semicírculo lunar.
Um mundo esmagado com os pés,
Entre a Verdade e a Ficção,
Onde as crianças abandonadas
Vivem sempre a chorar...
A vida é uma migração infinita,
Convergindo pr'algum lugar.
Na floresta dos dias
Abatidos sem sentido ou razão,
Árvores e sonhos perdidos
Tombam dentro de mim sem parar.
Quando eu era apenas um menino
Tímido, quieto, adormecido -
Não tinha asas e via penas bailando no ar -
A Felicidade brincava de roda comigo,
Bamboleando até me tontear,
Dizendo que um dia viria
Com certeza para me buscar.
A tarde que ardia - tardia -
Era a Esperança aflita, de pés descalços,
Que por último (em mim) morria
Todos os dias de frio ao me despertar!
Custei a descobrir um novo mundo.
Eu também jazia adormecido em mim,
Preso em meu escuro jardim - meu lar.
A Verdade não possui meias-palavras.
É arma de cano cerrado e me apontar
O caminho que devo seguir
Sem nunca poder para trás olhar...
Acreditar em algo foi um duro parto,
Hoje carrego nos braços meus
O sonho perdido que vive a me embalar.
Só o Amor verdadeiro faz
Vidas, cucos e relógios
Andarem de mãos dadas, sincronizadas,
Um ao outro querendo despertar...
A vida que segue à vida que segue -
Pequena pipa no céu a bailar -
É um êxodo cósmico... cadente, solar.
A cegueira e seus sete véus
Nos impedem de ver um antepassado
Parado na esquina a nos observar...
Vejo um Cristo repartido
Em mil pedaços, vivendo escondido num rosário,
Em cada pessoa que ama ao próximo
Como a si mesmo, sem nada em troca esperar.
Um Cristo despregado da cruz sobrevive
Em cada homem/mulher
Que me estende a mão.
Vejo-O também no irmão
Que não é filho de meu pai nem de minha mãe;
Em cada ser vivo
Que desperta em vida
E reparte comigo e com o deus-dará
Seu pequeno pedaço de pão!
As formigas não sabem
Que existe um mundo maior,
Adormecido, as observando sem pestanejar,
Esmagando-as com os pés e as mãos no pó
Sem nenhum motivo, razão, nem dó.
Assim, também são as abelhas-operárias,
Vivendo em sua colméia urbana
Fazendo nela mel puro sem saber
Que num outro mundo imenso e escuro
Existe o fel, a dor e a desilusão...
Se o corpo morre antes
O espírito jamais deixa de nos habitar.
Se soubermos cultivar em vida:
Amor, felicidade, compaixão,
Não haverá medo de dormir no escuro
E temer noutro mundo adormecido acordar...
Obs.: Colagem de minha autoria.
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