O ônibus-vida passa
Sempre lotado de recordações.
Em cada parada
Uns sobem, outros descem,
Desencontros e procissões.
A moça do brinco dourado
Com uma estrela solitária
Bailando no ar
É namorada sem saber
Pelo jovem solitário com
Uma lua no braço tatuada,
Sentado no banco ao lado,
Vagando pelas perdidas ilusões.
Três fileiras mais atrás
Um poeta errante
Escreve seu poema delirante,
Inspirado na moça do brinco
E na tatuagem de seu observador.
Mal sabe aquele poeta
Que também é observado
Por alguém, sentada
Na última fileira do ônibus,
Próxima da porta com elevador...
Nenhum dos passageiros desconfia
O quão passageira também é a vida -
Bela e breve feito um poema de amor.
O ônibus roda-viva
Pela linha circular do tempo
Entre a cidade nova
E o centro da velha cidadela,
Onde o tempo brinca de carro-motor...
Na próxima parada
O mesmo ônibus
Outro motorista e cobrador...
Outro tempo, outra verdade,
Outro brinco, outra mocidade...
E a mesma busca pelo verdadeiro amor.
José Antonio Klaes Roig
Obs. 1: Colagem de minha autoria.
Obs. 2: Título "Procissão do Desencontro" refere-se a expressão citada por Carlos Reverbel, em seu livro O Gaúcho (1986, p.5), atribuída ao escritor Oswald de Andrade, um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922.
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