Lanterna Mágica



Torres e neblinas
Manequins e vitrinas
Luzes de carros e estrelas a piscar

Quando a noite chega
Na pequena cidade sem nome
A mocidade parte insone
Deixando a saudade de lenço branco
Na beira do cais a lhe abanar

Entre janeiro e fevereiro
Entre o falso e o verdadeiro
Vez em quando vem a sombra de alguém
Que partiu dizendo nunca mais voltar

Quando a neblina baixa mansamente
Qual a criança que deita candidamente
A pequena cabeça no colo de seu pai,
Um anjo solitário numa nuvem cinzenta
Também soluça, balança e cai do além
Como o passageiro que perde o trem
Da felicidade que nunca pode esperar

Neste instante incerto
O céu à terra desce
Encostando seu teto celeste
Quase nas ponteiras das torres das igrejas
Com seus sinos vibrantes a badalar

Mas o coração do anjo desperto
Badala também seu sino
Confundindo e dispersando os fiéis
Que vem e vão às tontas, às cegas
Pela neblina - céu que parece mar...

Há quem veja nesse assombro
Uma pequena luminosidade -
Como vaga-lume no céu a bailar...

A lanterna mágica pode ser também
O brilho dos olhos de alguém
Quando descobre nos dias cinzentos
Uma luz radiante, que em nenhum outro
Dia antes, pode sequer vislumbrar.
A lanterna mágica, para alguns,
Pode ser um pequeno farol a piscar.
Obs.: Colagem de minha autoria.

Comentários

Anônimo disse…
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