Muhammad Ali



Muhammad Ali na esquina
E eu aqui perdido, dando socos no ar.
Nem sempre quem morre em vida
Consegue, ainda em vida, ressuscitar.
O destino é incerto,
O cão é mais esperto que o dono.
Não quero ter por perto
Uma solidão canina a me rondar.
Muhammad Ali na tevê
Derrubando um por um
Cada desafiante lenhador,
Cada confiante lutador...
O futuro, pequena clareira na mata
Esquiva-se para melhor nos observar...
Contra a força das idéias e dos ideais
Não há panacéia nem umbral
Que cure as feridas abertas
Naqueles que, de peito aberto,
Resolvem enfrentar o Mal.
Muhammad Ali no tablado,
Tremeluzindo em frente do televisor.
A vida é feita de pequenos rounds:
Ganha-se e perde-se a todo instante.
Na estante, medalhas e troféus!
Há quem dá a isso ,
Mais que à própria vida, imenso valor.
Só passa por esta jornada impune,
Sem supercílio aberto e lábio rachado,
Coração partido e olho marejado,
Aquele que jamais sofreu por amor.

Poesia elaborada em Rio Grande-RS, 20/02/2004.

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