Feli (z) cidade


A Morte e a Sorte jogavam dados
De mãos dadas saíram pra passear
O Tempo e o Vento, que jogavam capoeira,
Pararam tudo por um segundo para observar
A Morte carregava seu cajado
A Sorte blefava no jogo de cartas
Pensava que seu dia jamais iria chegar
O Tempo, um velhaco,
Vestia-se de Vento, belo e sussurrante,
Pra todas as mulheres conquistar
Mas, eis que a Sorte, moça faceira,
No meio da jornada mudou de lado
Enamorou-se pelo Vento, quis com ele se casar
E a Morte possessiva, cruel e vingativa
Para não levar desaforo pra deserta casa
Teve que a contragosto ao Tempo se aliar
Enquanto essas quatro tristes figuras
Brincavam de ciranda de desilusões
Um casal que não se conhecia ainda
Fazia juras de amor diante da tela de um computador
O dia que os dois se encontrarem de fato
Terão que fugir da Morte que ronda as cidades,
Do Tempo que devora todas as idades
Agradecendo a Sorte, santa protetora daqueles
Que, perdidos de si, reencontraram-se em seu par.
Feli(z)cidade é qualquer lugar no mapa
Um canto, um conto, um encanto
Onde o Amor vive sozinho a nos esperar...

Poesia escrita em Rio Grande-RS, 20/05/2005.
Obs.: colagem acima também de minha autoria.

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