O menino que'u fui um diaPassou por aquelas ruas vazias
E não me reconheceu,
Dobrou na primeira esquina com medo
Daquele ilustre desconhecido: Eu?
Pois, nem mesmo eu me reconheço mais.
Trazia o menino por estes caminhos
Que hoje o homem tanto custa a trilhar
Um sorriso nos lábios e um brilho no olhar
Que temo, de novo, os verei jamais...
Tempo bom que quando criança
Nada sabemos da eterna namorada, a Vida,
Acreditamos nos sonhos e por eles
Vivemos ou morremos sem saber,
Co?a doce esperança - uma margarida -
Que o primeiro amor é pra sempre
E nunca ficará despetalado pelo caminho,
Quando resolvemos justo um outro caminho trilhar...
Pelos descaminhos do tempo,
Dez caminhos e um pé-de-vento encontrei.
Nasci canhoto, mas o tempo e minha avó
Me fizeram aprender a ser destro
Por preconceito, desconhecimento e superstição...
Mas continuei a pensar como canhoto...
O mundo continuou inclinado, torto
E eu morto, querendo ressuscitar.
O fim dos dias e os dias sem fim passaram por mim
Empinando suas coloridas pipas,
Só a verdade é que fica planando no ar, indefinidamente,
Mesmo quando o vento pára de soprar...
Males que vêm para o bem...
Um bem que veio dos males do mundo me curar...
Se a Morte possui um grosso calibre
É no rio caudaloso da minha Vida
E seus dez caminhos em que desejo me afogar...
Poesia escrita em, 30/03/2004.
Colagem também de minha autoria.
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