Em 12/4, reportagem do canal Band News deixou-me perplexo. Noticiou a atitude da profª. M. H. L., da Universidade Veiga de Almeida, do RJ, de impedir que um aluno portador de paralisia cerebral freqüentasse suas aulas, por não estar apto, segundo a própria, para o desempenho acadêmico. O fato revoltou colegas e até a chefia do rapaz, que disse que o mesmo possui rendimento superior ao esperado, ingressando na Universidade, graças às boas notas no ENEM. A atitude da professora, apesar de pontual, demonstra o quanto às vezes pessoas esclarecidas, podem ser teóricos brilhantes em suas teses, mas que na prática cometem erros de avaliação, por desconhecimento de causa, por preconceito ou pura má vontade. Certa vez li texto A avaliação do desempenho escolar como ferramenta de exclusão social, de Andréa Cristina Marques de Araújo, especialista em sistemas de informação, em que demonstrava como a avaliação, quando extremamente rigorosa - ao não levar em conta aspectos qualitativos e apenas quantitativos do alunado - estimularia a evasão escolar.
Presto solidariedade ao aluno barrado e a todos àqueles que passam por este tipo de avaliação, no mínimo equivocada. Há 3 anos, trabalho com a educação especial em núcleo de tecnologia educacional, mas ainda não tive alunos com paralisia ou cadeirantes. Já tivemos alunos surdos, cegos, com baixa visão, com deficiência mental leve, alguns com dificuldade de coordenação motora, mas com todos houve interação, respeitando às suas especificidades. Claro que só consegui desenvolver o Projeto de Informática na Educação Especial, graças ao apoio pedagógico de 8 professoras da EEEF. Barão de Cêrro Largo, especialistas nessa área, que dividiram comigo, e a partir de 2006, com minha colega Janaina Martins esse grande desafio, que tem obtido resultados acima do esperado. Por sinal, a Escola Barão possui também pré-escola e ensino regular completo, mas muitos pais evitam colocar seus filhos lá por desconhecimento ou preconceito. Evidentemente que em turmas de inclusão não haverá o rendimento idêntico do aluno portador de necessidades especiais ao do aluno regular. É o óbvio ululante, pois por isso existe a necessidade especial (especiais somos todos nós para alguém), o que não torna ninguém melhor ou pior, apenas diferente dos demais. Mas em turma regular, não temos também alunos com rendimento diferenciado: baixo, médio e avançado? E como fazemos com a turma? Não vejo ninguém reclamar disso. Mas, em se tratando de portadores de necessidades educativas especiais, vira bicho-de-sete-cabeças. A estrutura de ensino público carece de infra-estrutura, cursos de capacitação, professores apoiadores (intérpretes e instrutores) com cursos específicos nessa área para interagir com o educador em sala de aula. Em alguns casos, falta apoio ao professor, de parte do gestor escolar e do gestor público. Necessita-se de investimento em recursos humanos e equipamentos. Porém, falta também esclarecimento à sociedade.
Pensar a inclusão significa ir além das figuras do professor, de seus alunos regulares, aliados aos alunos portadores de necessidades educativas especiais em dia, hora e local marcados; e, findo o período de estudos, tudo voltar ao que era antes. A própria família deposita na escola seus anseios e frustrações. Inclusão é sinônimo de interação, de convívio mútuo, de participação e de exercício integral da cidadania. Antes de direito, um dever. Antes de uma "boa ação", uma ação necessária. E para que seja eficiente tem-se que pensar a inclusão em classe regular, disponibilizando em turno inverso salas de recursos ao aluno PNEE, com acompanhamento especializado, pois a inclusão não pode partir de uma exclusão de atividades e/ou de entidades de apoio, já existentes, como APAE, APADA, Escola José Alvarez de Azevedo (para cegos) e outras pelo país afora que, além da experiência, têm toda uma história de resgate social, que deve ser levada em conta no processo de ensino-aprendizagem. Do contrário, será apenas tentativa de inclusão e nada mais que isso.
14/04/2007
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